11 fev 2025 Fonte: Conselho Editorial da Revista Sinergias: CEAUP e FGS Temas: Educação para o Desenvolvimento e a Cidadania Global, Direitos Humanos, Cidadania e Participação

Convidamos-vos a visitar o recente número da revista Sinergias – diálogos educativos para a transformação social, dedicado ao tema Democracia(s): transformando paradigmas opressivos de poder através da Educação para o Desenvolvimento, publicado em janeiro.
Evocamos os versos de David Mourão-Ferreira, “Que dúvida, que dívida, que dádiva, que duvidádiva afinal a vida.”, cujas palavras, a nosso ver, capturam a essência desta temática.
No contexto do mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo em que vivemos – o designado “VUCA world” (Tichnor-Wagner et al., 2019), emergem desafios globais e locais cada vez mais complexos e interligados, que ameaçam continuamente a Paz, a Justiça, a Segurança, os Direitos Humanos, a Sustentabilidade e a Democracia (GENE, 2022).
Neste cenário, “viver em e pela democracia” de facto parece ser, parafraseando o poeta, uma verdadeira duvidádiva. Se por um lado, a Democracia é sem dúvida, um Direito Humano fundamental, por outro, ainda permanece uma dívida para tantos seres humanos e comunidades que, em contextos de opressão, autoritarismo, violência e conflito, dela se veem privados. Por conseguinte, numa perspetiva de Bem Comum e Humanidade partilhada é, em última instância, uma dádiva, um ideal pelo qual sempre valeu e valerá a pena lutar, e disso acreditamos não haver absolutamente nenhuma dúvida.
Este número confirma precisamente esta convicção, bem como a emergência de:
Discursos democráticos, informados e responsáveis que se erguem contra o dogmatismo e que desbravam caminhos para o diálogo pluralista onde todas as vozes podem ecoar, serem escutadas e valorizadas…
Desarticulação de sistemas e paradigmas de poder opressivos e coercivos, mecanismos de controlo aniquiladores da dignidade, autonomia, participação e liberdade…
Descoberta de mecanismos de ação e intervenção face a modelos neocoloniais que continuam a fortalecer o status quo e a estimular relações de poder desiguais entre grupos e nações…
Desmantelamento das raízes da injustiça sistémica e da iniquidade estrutural que mantém tantos seres humanos na periferia, privados do privilégio e do acesso a bens e recursos essenciais …
Disrupção face a extremismos, fundamentalismos, polarizações e radicalismos que ameaçam o Bem Comum e geram um mal-estar que corrói a nossa capacidade de imaginar podermos viver juntas e juntos um presente e um futuro com maior Justiça, Solidariedade, Equidade e Paz…
Desenvolvimento de uma educação crítica e emancipatória que visa promover a Cidadania Global através de processos e práticas orientadas para a transformação social.
À luz destes princípios e horizontes, fazemos votos de leituras democráticas, feitas em liberdade e pelo puro prazer de delongar-se na (re)descoberta da Democracia.
Autoria: Conselho Editorial da Revista Sinergias