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porUNICEF
fonteUNICEF
a 12 DEZ 2014

Um ano após o início do conflito, as crianças do Sudão do Sul vivem em risco todos os dias

O futuro de uma geração de crianças no Sudão do Sul está a ser roubado pelo conflito que já dura há um ano no país e que forçou centenas de milhares de crianças a deixarem as suas casas, escolas e comunidades; sujeitando-as à violência, má nutrição e doenças, afirmou hoje o Fundo das Nações Unidas para a Infância.

A escala da crise no mais jovem país do mundo é muito perturbadora, declarou a UNICEF. Desde que a violência eclodiu a 15 de Dezembro de 2013, perto de 750.000 crianças tornaram-se deslocadas internas e mais de 320.000 estão a viver como refugiadas. Estima-se que 400.000 crianças tenham sido obrigadas a abandonar a escola e 12.000 estarão a ser utilizadas por forças e grupos armados no conflito. Com as estruturas sociais tradicionais danificadas, as crianças estão também cada vez mais vulneráveis à violência, aos abusos sexuais e à exploração.


© UNICEF/NYHQ2014-1530/Ose - Etiópia, 2014

“O futuro das crianças do Sudão do Sul – e o do próprio país – está a ser seriamente comprometido pelos confrontos em curso,” declarou Jonathan Veitch, Representante da UNICEF no Sudão do Sul. “Vamos prosseguir com a nossa enorme operação humanitária destinada a acudir a centenas de milhares de crianças, mas aquilo de que elas precisam acima de tudo é de paz.”

As taxas de má nutrição infantil aumentaram para mais do dobro, devido ao conflito, o que levou a UNICEF a aumentar a escala do seu programa nutricional e a mobilizar mais parceiros para que ajudem a responder ao maior número de casos. Até agora, mais de 80.000 crianças com má nutrição aguda grave deram entrada para receber cuidados terapêuticos. E embora o Sudão do Sul tenha conseguido evitar a declaração da situação de fome este ano, é provável que o país venha a enfrentar uma crise alimentar ainda mais devastadora a menos que a paz e a estabilidade sejam restauradas no início de 2015.

À medida que o fim da estação das chuvas proporciona um melhor acesso às estradas de terra batida do Sudão do Sul, a UNICEF está a pré-posicionar bens de primeira necessidade em localidades-chave, reforçando a resposta de emergência em Jonglei, Unity e Alto Nilo – os três estados em contenda nos quais as carências são de maiores proporções.

As Missões de Resposta Rápida da UNICEF e do Programa Alimentar Mundial estão também a chegar as comunidades mais remotas por via aérea, disponibilizando vários serviços cruciais. As missões asseguram o rastreio e tratamento para a má nutrição bem como água própria para consumo e saneamento. As crianças estão a ser imunizadas, e aquelas que se encontram separadas estão a ser registadas com vista à reunificação com as suas famílias. Sempre que possível, está a ser proporcionado o acesso a educação básica e apoio psicossocial. Até agora, mais de 590.000 pessoas foram assistidas, incluindo 125.000 crianças menores de cinco anos, em 34 missões conjuntas.

Dado que a escolaridade de inúmeras crianças foi interrompida, a iniciativa da UNICEF “Voltar a Aprender” (“Back to Learning”) visa reabilitar 225 salas de aula danificadas e proporcionar o acesso à educação a um número estimado de 400.000 crianças que se viram forçadas a abandonar a escola. A UNICEF está também a trabalhar com o Governo do Sudão do Sul para a inclusão de programas de construção da paz no plano curricular nacional.

“Temos de aproveitar a oportunidade que a estação seca nos oferece,” afirmou o Representante da UNICEF. “Porém, quaisquer ganhos humanitários que possamos obter são extremamente precários. Uma eventual intensificação dos combates, como muitos receiam, irá desencadear deslocações numa escala ainda maior e agravar a vulnerabilidade das já exaustas comunidades e suas crianças.”

A UNICEF precisa de aproximadamente 166 milhões de dólares para financiar a sua resposta de emergência no Sudão do Sul em 2015.

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