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porGTED
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a 07 NOV 2014

O mundo que temos, o mundo que queremos...

Realizou-se, no passado dia 28 de Outubro, o 1.º Fórum de Educação para o Desenvolvimento (ED) em Portugal.

O acolhimento deste fórum na Assembleia da República, sob o tema “a importância do exercício da cidadania global”, permitiu, não só sublinhar a importância da matéria na actualidade e reforçar o  reconhecimento institucional da ED, como também reflectir sobre a centralidade de uma participação cidadã activa e atenta, como base da sustentabilidade da própria democracia. Nesta medida, criar espaços de participação mais próximos e acessíveis dos cidadãos e cidadãs, onde todos/as possam ter voz nas tomadas de decisão e todos/as se possam co-responsabilizar revelou-se, neste fórum, como algo a desenvolver e a reforçar no exercício autêntico da cidadania.

Partindo da perspectiva do mundo que temos para o mundo que queremos, foi clara a necessidade de procurarmos um modelo de ED assente no respeito e valorização de todas as formas de saber, em que a resposta a problemas e desafios globais exigirá sempre uma compreensão partilhada de uma consciência global, como um problema comum. De facto, as tensões entre o local e o global num mundo cada vez mais globalizado foram também alvo de reflexão, apresentando-se o local como o palco da diversidade cultural e da diferença, no qual há necessidade de fazer compromissos. Na verdade, o global concretiza-se sempre no local, pois, como foi reforçado, as acções individuais têm um impacto global: pensar global e agir local.
Neste caminho, a Escola assume um papel imprescindível, cuja centralidade e metodologias importa rever. Quer-se uma escola não centrada em resultados, mas sim num modelo de desenvolvimento pessoal e cidadão, que não só seja espelho da complexidade da sociedade, mas que, sobretudo, seja capaz de se constituir como um instrumento crítico para o desenvolvimento. 

A escola não é, no entanto, o único agente neste caminho de aprendizagem. O poder político e as próprias famílias são espaços importantes que, como foi notado no fórum, devem ser privilegiados no trabalho de tomada de consciência do que é a Cidadania Global.

… e como chegamos lá?

Como exemplos do caminho a traçar, foram deixados alguns desafios: desde envolver e estimular um compromisso efectivo dos cidadãos/ãs, a longo prazo; reconhecer e valorizar activamente riquezas e recursos não materiais e até, no âmbito específico da ED, repensar a lógica da avaliação e análise dos resultados. Aqui, será necessário reflectir exactamente sobre o que significam os resultados e como os medir, até porque, como foi destacado no fórum, se avaliarmos a ED pelos padrões da Cooperação para o Desenvolvimento, corremos o risco de falhar.

Outro dos desafios lançados foi o de reforçar o compromisso com a Estratégia Nacional de Educação para o Desenvolvimento (ENED), e de a avaliar, de forma permanente, juntando forças entre parceiros, e destacar e aprender com as práticas já implementadas, não esquecendo os fundos de financiamento, as organizações mais recentes ou de pequenas dimensões ou até outros actores, como as autarquias.

Foi também evidenciada a necessidade de clarificar o que entendemos por Educação para o Desenvolvimento ou Educação para a Cidadania Global, não receando a questão central: “Temos poder para mudar o que sentimos como injusto no mundo? E pensar juntos renovadamente a teoria da mudança: acreditamos, de facto, na mudança?”

Estes desafios e questões deixadas em aberto, não podem fazer parte, tal como o fórum ED, a ENED, os estudos apresentados e o trabalho partilhado, de um “momento isolado” ou de um ponto de chegada, mas devem constituir sim, um ponto de partida para continuarmos todo/as e conjuntamente esta reflexão para a acção sobre o mundo que temos, o mundo que queremos e de que modo podemos “chegar lá”.

 

No Fórum foi ainda lançado o relatório GLOBAL EDUCATION IN PORTUGAL: THE EUROPEAN GLOBAL EDUCATION PEER REVIEW PROCESS - NATIONAL REPORT ON PORTUGAL do  GENE - Global Education Network Europe que analissa a realidade da Educação Global em Portugal. 

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