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porSOLSEF
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a 19 AGO 2014

Lar Eugenie Caps - 4 anos de Educação na Esperança

Com objectivo de ajudar a Promover a igualdade de género e a capacitação das mulheres (ODM 3), a ONGD Sol Sem Fronteiras (SolSef) inaugurou a 6 de Abril 2010 o Lar Eugenie Caps, um projecto de construção de um Lar para meninas em Itoculo, localidade da província de Nampula – Moçambique, co-financiado pelo IPAD.

Numa região que permaneceu largamente isolada durante a guerra, existem áreas onde o atraso da escolarização é considerável, e em particular no caso das raparigas: são normalmente elas as que menos oportunidades têm de estudar, sobretudo devido à escassez de escolas e consequente distância das que existem, ficando muitas vezes vulneráveis e sujeitas a situações de subalternidade nas suas casas de hospedagem, funcionando quase sempre como empregadas da família e não tendo, obviamente, condições para estudar. De forma a combater este problema foi construído, em parceria com as Irmãs do Espírito Santo, um lar onde as meninas deslocadas pudessem ter acolhimento, apoio necessário e acompanhamento escolar.

Quatro anos após a sua abertura, este lar que abriu em 2010 com apenas 6 meninas, aloja agora 46 meninas, tendo não só contribuído para aumentar a percentagem de meninas a frequentar o 2º ciclo da escola primária (EP2) em Itoculo, bem como diminuir as taxas de desistência.
Para marcar estes quatro anos de funcionamento, deixamos abaixo um testemunho da voluntária Alexandra Martins – que se encontra há uma no em Itoculo a dirigir o Lar – bem como o testemunho de uma das Laristas.

Testemunho da voluntária Alexandra Martins em missão em Itoculo – Moçambique

"No princípio a ideia animou-me bastante! Depois com o aproximar da hora de começar fui temendo não ser capaz! Quando as meninas entraram pensei ser impossível fazer este trabalho. Fui conhecendo as meninas, o funcionamento do lar, os gostos, os problemas, as dificuldades e tudo o que havia para conhecer aqui.

As da 8ª classe entraram com muitas dificuldades na leitura, escrita e matemática. Muitos dos alunos chegam à 8ª classe assim, sem saberem ler. Mas viver em comunidade é ajudar-se e, comecei a ver as mais velhas a ajudar as novas, a estudar com elas, a zangarem-se quando estas erravam e a torná-las assim mais capazes. A escola secundária de Itoculo é composta sensivelmente por 240 alunos, 87 meninas, das quais 46 são laristas do lar Eugénia Caps. Havia uma grande diferença em relação às avaliações, pois estas meninas têm muito mais horas e condições para estudar que os outros alunos que nem livros têm.

Como também estou na coordenação dos jovens da paróquia, tenho contactado bastante com os que vivem mais no interior, aqueles que não têm condições para vir estudar para a secundária. Aí sim nota-se muita diferença, principalmente nas meninas cujos pais não conseguiram /quiseram pô-las na escola depois da 7ª, não entendem o português, participam nas reuniões como meras figurantes, não têm voz e quando tento puxar por elas, é muito difícil responderem.

No exame de aprovação de entrada para o lar, no princípio do ano fazia a pergunta do porquê da menina querer frequentar este lar. A maioria das respostas foi “porque o meu papá quer que eu estude”. Entretanto já evoluímos muito e, a vida em comunidade também as ajuda muito e já temos muitas a falar bem e a querer lutar pelo seu futuro.

É preciso um grande trabalho ainda por esta zona, um trabalho principalmente de consciencialização. Um ano é muito pouco para se trabalhar aqui, porém foi aquilo a que me propus e, de momento é o que posso dar, mas gostava muito que viessem outros voluntários para dar um pouco de continuidade aos projectos que aqui se têm vindo a desenvolver desde há muitos anos. O meu apelo é que não deixemos de dar continuidade ao que tão bem temos construído."

Testemunho da Joana – Aluna da 9º Classe e Larista

"Chamo-me Joana, sou uma menina larista quero falar sobre a minha vida do lar. Em 2011 foi o 1º ano que eu estive a começar viver no lar, além do meus pais mais assim numa casa grande que se vive em comunidade ajudando-nos umas às outras. Indo assim a minha vida mudou, as trocas de experiências que fiz com as outras minhas amigas durante o ano, aprendendo outras coisas divertidas, com os meus estudos comecei a gostar a vida do lar pouco a pouco. Depois, no ano seguinte comecei praticar mesmo o que era a vida do lar com os estudos, trabalhos, actividades recreativas. Passados os anos ainda gostei mais dos estudos e das actividades que realizamos durante os anos, a costura, estudos em classes, trabalhos em grupos, viagens, animação nas celebrações eucarísticas nos sábados e domingos. Com todas essas coisas a minha vida está a mudar cada vez mais e estou a gostar mais da vida do lar."

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