|
porUNICEF
fonteUNICEF
a 22 JUL 2014

Não há tempo a perder: novos dados da UNICEF mostram que é preciso acção urgente para por fim à mutilação genital e ao casamento precoce

O governo do Reino Unido e a UNICEF acolhem hoje a primeira Cimeira da Rapariga que alguma se realizou a fim de mobilizar apoio com vista a acelerar os progressos para acabar com a mutilação genital feminina (MGF/C) e o casamento na infância – duas práticas que afectam milhões de raparigas no mundo.

Os dados da UNICEF agora divulgados mostram que, embora a prevalência tenha diminuído ligeiramente nas últimas três décadas, as taxas de progresso têm de ser drasticamente incrementadas para compensar o crescimento da população em países onde aquelas práticas são mais comuns.

A MGF e o casamento precoce prejudicam as raparigas profundamente e para toda a vida, negando-lhes o direito de poderem tomar decisões por si próprias e de desenvolverem todas as suas capacidades. São prejudiciais para as raparigas, para as suas famílias e para as sociedades,” declarou Anthony Lake Director , Executivo da UNICEF. “As raparigas não são propriedade de ninguém; elas têm o direito de escolher o seu destino. Quando podem fazê-lo, todos beneficiamos.”

Segundo os dados agora revelados:

Mais de 130 milhões de raparigas e mulheres foram submetidas a alguma forma de MGF em 29 países de África e Médio Oriente onde a prática é mais comum. Além do tremendo  sofrimento físico e psicológico, as raparigas que são submetidas à MGF correm o risco de hemorragia prolongada, infecções, infertilidade e mesmo de morte.

O casamento na infância é uma prática ainda mais disseminada que pode determinar toda uma vida de desvantagem e privação. Em todo o mundo, há mais de 700 milhões de mulheres que casaram em criança. Mais de 1 em cada 3 – cerca de 250 milhões – casaram antes dos 15 anos. A probabilidade de as raparigas que casam antes dos 18 anos permanecerem na escola é muito menor, e aumenta a probabilidade de serem vítimas de violência doméstica.

As adolescentes mais novas têm maior probabilidade de morrer devido a complicações na gravidez e no parto do que as mulheres na casa dos 20 anos; a probabilidade de terem nados-mortos ou de os seus filhos morrerem no primeiro mês de vida é também mais elevada.

Em termos globais, a probabilidade de uma adolescente ser cortada é actualmente um terço do que era há 30 anos. O Quénia e a Tanzânia conseguiram baixar as respectivas taxas para um terço dos níveis que tinham há três décadas mediante a conjugação de activismo comunitário e da legislação. Na República Centro-Africana, no Iraque na Libéria e na Nigéria, a prevalência baixou para metade. As atitudes estão também a mudar: dados recentes mostram que a maioria das pessoas em países onde a MGF é praticada acham que ela deve acabar, mas continuam a obrigar as filhas a submeter-se à prática devido a uma forte pressão social.

Mas, se neste momento não houver uma acção mais intensa e sustentada com a participação de todos os sectores da sociedade, centenas de milhões de raparigas vão sofrer danos profundos, permanentes e totalmente desnecessários.

Se as taxas de declínio que se registaram nas últimas três décadas forem sustentadas, e considerando o impacto do crescimento da população o número de mulheres casadas em criança (mais de 700 milhões) vai manter-se estável até 2050; e poderá haver mais 63 milhões de raparigas submetidas à MGF/C até 2050
 
Duplicar a taxa de decréscimo significaria que o número de mulheres casadas em criança baixaria para os 570 milhões em 2030 e para 450 milhões em 2050. O número de raparigas e mulheres afectadas pela MGF/C (mais de 130 milhões) manter-se-ia muito próximo dos níveis actuais.

“Os números mostram claramente que temos de acelerar os nossos esforços. E é fundamental que não esqueçamos que estes números representam vidas humanas. Ainda que se trate de problemas à escala global, as soluções devem ser locais, conduzidas pelas comunidades, pelas famílias e pelas próprias raparigas para mudar mentalidades e quebrar ciclos que perpetuam a MGF/C e o casamento precoce,” sublinhou A Lake. “Não podemos deixar que a dimensão avassaladora dos números nos paralise – bem pelo contrário devem impelir-nos a agir!!!
 

---------------------------------

Mais informação aqui.

Ending Child Mariage: Progress and Prospects

Female Genital Mutilation/Cutting: What might the future hold?

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>
2019
2018
2017
2016
2015
2014
2013
2012
2011
2010