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a 07 JUL 2014

RELATÓRIO SOBRE OS ODM LANÇADO HOJE: PODEM-SE ATINGIR MAIS OBJECTIVOS ATÉ AO FINAL DE 2015

A vida de milhões de pessoas tem melhorado graças ao esforço concertado a nível global, regional e nacional e local para alcançar os Objectivos do Desenvolvimento do Milénio (ODM), que servem de base para a próxima agenda global de desenvolvimento, de acordo com um novo relatório lançado hoje pelo Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon.

Como muitas das metas dos ODMs já alcançadas, sobre a redução da pobreza, o aumento do acesso a fontes de água potável, melhoria da vida dos habitantes das favelas e atingir a paridade de género nas escolas primárias, o Relatório dos Objectivos do Desenvolvimento do Milénio de 2014, diz que muitos mais objectivos podem ser alcançados até 2015. Se a tendência se mantiver, o mundo conseguirá superar as metas dos ODMs relativos à malária, à tuberculose, acesso ao tratamento para a SIDA, e a meta da redução da fome poderá ser alcançada. Outras metas, tais como o acesso à tecnologia, a redução das tarifas aduaneiras médias, o alívio da dívida e a crescente participação das mulheres na vida política, apresentam grandes progressos.

O relatório dos ODMs baseia-se numa série de estatísticas oficiais e oferece a síntese mais actualizada se todos os Objectivos e das suas metas a níveis global e regional, com estatísticas nacionais adicionais disponíveis online. Os resultados mostram esforços concertados para alcançar as metas dos ODM pelos governos nacionais, pela comunidade internacional, sociedade civil e sector privado estão a funcionar, para tirar as pessoas da pobreza extrema e melhorar os seus futuros.

"Os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio foram um compromisso para respeitar os princípios da dignidade humana da igualdade e da equidade, e para livrar o mundo da pobreza extrema", afirmou Ban Ki-moon. "Os ODM com oito objectivos e uma série de medidas com prazos mensuráveis, estabeleceu um plano para enfrentar os maiores desafios do nosso tempo".

Salvar vidas de muitas formas

De acordo com o Relatório, coninuam a verificar-se grandes ganhos com os ODM. Ao longo dos últimos 20 anos, a probabilidade de uma criança com menos de 5 anos morrer diminuiu para metade, o que significa que cerca de 17 milhões de crianças são salvas por dia. Globalmente, a taxa de mortalidade materna diminuiu 45 por cento entre 1990 e 2013. O tratamento anti-retroviral para pessoas infectadas com o VIH salvou 6.6 milhões de vidas desde 1995, e expandir a sua cobertura poderia salvar muitas mais. Entre 2000 e 2012, cerca de de 3.3 milhões de mortes por malária foram evitadas devido à expansão substancial de intervenções contra a malária. Desde 1995, os esforços para combater a tuberculose salvaram cerca de 22 milhões de vidas.

ODMs as fundações para a próxima agenda de desenvolvimento

Com a definição das metas para os ODM a concluir até ao final de 2015, os Estados Membros das Nações Unidas estão a considerar um novo conjunto de objectivos para suceder aos ODMs e que será acordado pelos lideres mundiais em Setembro de 2015. O relatório diz que continuar a haver progresso em direção aos ODMs no último ano do prazo é essencial para o que virá a seguir.

"Actualmente os Estados-Membros estão totalmente empenhados nas discussões para definir os Objectivos do Desenvolvimento Sustentável, que constituirão o núcleo de uma  Agenda universal de Desenvolvimento pós-2015", afirmou o Secretário-Geral. "Os nossos esforços para atingir os ODM são o alicerce fundamental para o estabelecimento de uma base estável para os nossos esforços de desenvolvimento para além de 2015".

No entanto, apesar dos grandes progressos algumas das metas dos ODMs relacionadas com problemas de fácil prevenção e com soluções disponíveis, tais como a redução da morte infantil e materna e o aumento do acesso ao saneamento estão a escapar às conquistas de 2015. O relatório apela a todas as partes interessadas para se concentrarem e intensificarem os esforços nas áreas onde os esforços têm sido demasiado lentos ou não conseguidos.

Acabar com a defecação a céu aberto para um maior sucesso dos ODMs

Desde 1990, 2.3 mil milhões de pessoas passaram a ter acesso a uma fonte melhorada de água potável. Desde 1990 mais de um-quarto da população mundial passou a ter acesso a saneamento de melhor qualidade, no entanto exitem ainda mil milhões de pessoas que continuam a defecar a céu aberto. A grande maioria-  82 por cento - das pessoas que defeca a céu aberto vive em países de rendimento médio. Serão necessários esforços de investimento para alterar as instalações sanitárias inadequadas.

Acção acelerada utilizando soluções conhecidas é necessária para ajudar mulheres e crianças

Em todo o mundo, cerca de 300 mil mulheres morreram em 2013 de causas relacionadas com a gravidez eo parto. No entanto, a morte materna é geralmente evitável. A maioria das mulheres grávidas em regiões em desenvolvimento visitam um profissional de saúde qualificado, pelo menos uma vez, mas apenas metade dessas mulheres têm acesso aos recomendados quatro exames pré-natais. Condições possíveis de prevenir , como a diarréia e pneumonia, são os principais causas de morte para crianças com menos de cinco anos de idade. Em 2012, cerca de 25 por cento das crianças com menos de cinco anos sofriam de atrofia, tendo uma altura desadequada para a sua  idade. Embora esta seja uma queda significativa de 40 por cento em 1990, 162 milhões de crianças ainda sofrem de sub-nutrição crónica que seria evitável.

Noventa por cento das crianças em regiões em desenvolvimento frequentam a escola primária. Metade dos 58 milhões de crianças em idade escolar que não vão à escola vivem em áreas afetadas por conflitos. Crianças em áreas afetadas por conflitos, meninas de famílias rurais pobres e as crianças com deficiência têm mais probabilidade de estar fora da escola. Altas taxas de abandono escolar continuam a ser um obstáculo para a educação primária universal.

Ajuda monetária atingiu valores recorde, mas está em declínio para os países mais pobres

Após dois anos de declínio, em 2013 a assistência oficial atingiu um recorde de 134.8 mil milhões de dólares. Contudo, a transferência de ajuda para os países mais pobres foi desviada dos países mais pobres, onde a realização dos ODMs está mais atrasada. Oitenta por cento das importações provenientes dos países em vias de desenvolvimento entraram nos países desenvolvidos livres de impostos e as tarifas aduaneiras mantiveram-se num dos níveis mais baixos de sempre. O peso da dívida dos países em desenvolvimento  manteve-se estável a cerca de 3 por cento das receitas de exportações, o que foi uma queda de cerca de 75 por cento desde o ano 2000.

Melhores dados poderiam ajudar a produzir melhores resultados

Segundo o relatório, apesar dos avanços consideráveis nos últimos anos, a estatísticas fiáveis para a manutenção do desenvolvimento permanecem inadequadas em muitos países, mas  uma melhor informação estatística sobre os ODMs tem conduzido a resultados reais. por exemplo, o número de Estados-Membros a apresentarem relatórios de progressos sobre o VIH/ Sida aumentou de 102 em 2004, para 186 em 2012. Isso ajudou a galvanizar esforços globais. O financiamento para programas de combate ao VIH mais do que triplicou  comparativamente a 2004 e 9.5 milhões de pessoas a viver com VIH tiveram acesso ao tratamento antiretoviral em 2012.

O relatório de Desenvolvimento dos Objectivos do Milénio, uma avaliação do progresso global e regional relativamente aos Objectivos, reflecte a informação mais completa e mais actual compilada por 28 agências internacionais e é produzido pelo Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas. O conjunto completo de dados utilizados para preparar o relatório está disponível em mdgs.un.org

Para mais informações, ver: www.un.org/millenniumgoals

 

Pode aceder à versão portuguesa do relatório aqui.

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