|
porUNICEF
fonteUNICEF
a 27 JUN 2014

CRISE NO SUDÃO – UMA EMERGÊNCIA PARA AS CRIANÇAS

A actual crise de deslocados internos (IDP) e de refugiados no Sudão está a assumir contornos de uma verdadeira emergência para as crianças, que representam 70 por cento ou mais das pessoas que tiveram de deixar as suas casas. O conflito está activo em nove das 18 províncias do país, e os habitantes de mais de cem localidades precisam de assistência humanitária. Desde o início do ano, só à região do Darfur terão chegado mais 267.600 deslocados.

“Diariamente, a UNICEF tem vindo a deparar-se com crianças que precisam desesperadamente de ajuda humanitária em locais que estão sempre a mudar. O facto de estarem em trânsito, no meio do conflito, em campos improvisados e sobrelotados com pouco ou nenhum acesso a serviços básicos aumenta drasticamente o risco de morte, doenças e deficiência para estas crianças,” afirmou Geert Cappelaere, Representante da UNICEF no Sudão, hoje em Genebra.

A crise no Darfur já dura há mais de uma década, desde 2003, e nem o Acordo Geral de Paz de 2005 nem a secessão do Sudão do Sul em 2011 tiverem quaisquer efeitos positivos no Sudão que se reflectissem numa sociedade pacífica e coesa. Enquanto o conflito perdurar, continuará a haver vítimas e a UNICEF está preocupada, pois as vítimas mais vulneráveis da guerra e deslocação continuam a ser as crianças.

Crises múltiplas, financiamento insuficiente
O Sudão é um local de conflito e crise no qual o número de pessoas em fuga muda diariamente. Acompanhar os desenvolvimentos constantes, as necessidades humanitárias e de financiamento é um desafio diário para a UNICEF e seus parceiros no terreno. Como um dos principais agentes na resposta de emergência para as crianças, à UNICEF são confiados montantes significativos de contribuições de doadores de todo o mundo, mas as necessidades são avassaladoras.

Caminhos para o futuro do Sudão
O Sudão é o ponto de encontro entre África e o Médio Oriente e onde novos caminhos, um novo contrato social e novos modelos de desenvolvimento socioeconómicos equitativos podem ser forjados. A UNICEF constata já alguns desenvolvimentos positivos, por exemplo no sector privado com a produção local de produtos essenciais para crianças (alimentos terapêuticos prontos a utilizar para tratar a má nutrição grave) e em comunidades onde o esforço para alterar normas sociais e práticas tradicionais nocivas está a acontecer, com especial destaque para a campanha para pôr um fim à mutilação genital feminina/corte.

No entanto, para que uma verdadeira mudança aconteça no Sudão é necessário uma liderança corajosa a todos os níveis para acabar com o conflito e criar consensos em torno de uma agenda para o desenvolvimento nacional.

Num apelo inequívoco pelas crianças, Geert Cappelaere pediu um maior esforço de todos para pôr fim ao conflito no Sudão: “Não há lugar algum para as crianças num conflito armado, e também não têm nenhuma responsabilidade sobre o mesmo. O conflito rouba-lhes a infância e põe o seu futuro em risco. Em nome de toda e cada criança no Sudão, hoje apelo às partes envolvidas nos vários conflitos que se travam em território sudanês para que pousem as suas armas e trabalhem pela paz. Apelo também à comunidade internacional para que ajude o Sudão a ultrapassar esta crise e a criar um futuro sustentável para as suas crianças.
Não podemos permitir que a crise para as crianças do Sudão caia no esquecimento. Em vez disso, tenhamos a coragem de nos preocuparmos.”

 

Aceda ao áudio da Conferência de Imprensa com Geert Cappelaere, Representante da UNICEF no Sudão, aqui.

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>
2019
2018
2017
2016
2015
2014
2013
2012
2011
2010