|
porUNICEF
fonteUNICEF
a 20 MAI 2014

Quase 3 milhões de recém-nascidos poderiam ser salvos todos os anos

Uma série de artigos inovadores lançados hoje pelo The Lancet (uma das mais importantes publicações científicas na área da medicina) na sede da UNICEF, em Nova Iorque, revelam que a maioria dos quase 3 milhões de crianças que morrem antes de completar um mês de vida poderia ser salva se recebesse cuidados de qualidade na altura do nascimento – em especial as crianças mais vulneráveis e com menos acesso a cuidados adequados.

As mortes neonatais representam 44 por cento do total das mortes de crianças menores de cinco anos, uma percentagem elevadíssima e que é actualmente maior do que em 1990.

“Assistimos a progressos muito importantes no que diz respeito à sobrevivência de crianças menores de cinco anos,” disse Mickey Chopra, Responsável dos Programas de Saúde da UNICEF. “Este grupo de crianças precisa de atenção e de recursos. Uma maior atenção no período crítico entre o parto e as primeiras horas de vida pode aumentar exponencialmente as hipóteses de sobrevivência tanto da mãe como da criança.”

Segundo a UNICEF, 2.9 milhões de bebés morrem anualmente durante os primeiros 28 dias de vida. A juntar a estas vidas perdidas há ainda 2.6 milhões de nados-mortos anuais, e 1.2 milhões destas mortes devem-se ao facto do bebé entrar em paragem cardíaca durante o parto. As primeiras 24 horas que se seguem ao nascimento são as mais perigosas para a criança e para a mãe – quase metade das mortes maternas e neonatais ocorrem neste período.

A Série da Lancet Every Newborn identifica as intervenções mais eficazes para salvar os recém-nascidos, nomeadamente a amamentação; a ressuscitação do recém-nascido; os ‘cuidados canguru’ para bebés prematuros (que consiste no contacto prolongado pele-com-pele com a mãe); a prevenção e o tratamento de infecções. Mas é também indispensável mais financiamento e equipamentos adequados.

Os países que mais progressos fizeram nesta matéria deram especial atenção às crianças neste período crucial no contexto global dos cuidados alargados às mães e crianças menores de cinco anos. O Ruanda foi o único dos países da região subsariana que diminuiu para metade o número de mortes de recém-nascidos desde 2000. Alguns países de baixo e médio rendimento estão a fazer progressos notáveis através da adopção de medidas como a formação a parteiras e enfermeiras para que as famílias mais pobres possam ter acesso a  cuidados de maior qualidade no parto, especialmente no caso de bebés mais pequenos ou que nascem com problemas (entre outras).

Um inquérito feito em 51 países que têm a maior percentagem de mortes de recém-nascidos revelou que se a qualidade dos cuidados disponíveis para os mais ricos fosse universal, haveria uma diminuição de 600.000 mortes anuais – uma redução de quase 20%.

Os países com o maior número de mortes anuais de recém-nascidos estão no Sul da Ásia e na África subsariana - com a Índia (779.000), a Nigéria (267.000) e o Paquistão (202.400) no topo da lista. Nos países mais gravemente afectados, cada dólar (cerca de 0,75€) investido na saúde da mãe ou do bebé tem um retorno nove vezes superior ao investimento em benefícios sociais e económicos.

A UNICEF e a Organização Mundial de Saúde vão implementar no próximo mês um Plano de Acção: Every Newborn Action Plan que tem como objectivo pôr fim às mortes neonatais evitáveis até 2035.

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>
2019
2018
2017
2016
2015
2014
2013
2012
2011
2010