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porUNICEF
fonteUNICEF
a 19 MAR 2014

Os mais pobres do mundo são os que têm menos acesso a água potável, afirma a UNICEF

Quase quatro anos depois de ter sido alcançada a meta para água potável definida nos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), e depois da Assembleia Geral das Nações Unidas ter declarado que o acesso à água é um direito humano, mais de 750 milhões de pessoas, na sua maioria pobres, continuam sem acesso a este bem vital, afirma a UNICEF por ocasião do Dia Mundial da Água.

Segundo estimativas da UNICEF e da OMS de 2013, 768 milhões de pessoas não têm acesso a água potável, o que dá origem a que todos os anos centenas de milhares de crianças menores de cinco anos adoeçam ou morram. Estas pessoas são maioritariamente pobres e vivem em zonas rurais ou em bairros de lata urbanos.

A UNICEF estima que 1.400 crianças menores de cinco anos morrem diariamente de doenças relacionadas com diarreias causadas pela falta de água potável, saneamento e higiene.

“Rica ou pobre, todas as crianças têm direito à sobrevivência, à saúde e a um futuro,” disse Sanjay Wijesekera, chefe de programas mundiais de água, saneamento e higiene da UNICEF. “A comunidade internacional não pode descansar até que cada homem, mulher e criança tenha acesso à água e saneamento, que lhe compete enquanto direito humano fundamental.”

A meta do ODM relativa à água potável foi alcançada e ultrapassada em 2010, quando 89 por cento da população mundial teve acesso a fontes melhoradas de água potável – tais como abastecimento de água canalizada, furos equipados com bombas e poços protegidos. Nesse ano, a Assembleia Geral da ONU declarou que a água potável e o saneamento constituem um direito humano, o que significa que todas as pessoas deveriam ter acesso a água potável e saneamento básico. No entanto, muitas das pessoas mais pobres do mundo continuam a ser privados deste direito humano fundamental.

“O que continua a ser surpreendente, e até mesmo chocante, é que mesmo em países de rendimento médio há milhões de pessoas pobres que não têm água em condições para beber,” acrescentou Sanjay Wijesekera.”Temos de direccionar os nossos esforços para os grupos marginalizados e muitas vezes esquecidos: aqueles que são mais difíceis de alcançar, os mais pobres e os que estão em situações de maior desvantagem.”

Segundo estimativas da UNICEF e da OMS, dois terços da população mundial sem acesso a fontes melhoradas de água potável está concentrada em apenas 10 países. São estes, por ordem decrescente: a China (108 milhões); a Índia (99 milhões); a Nigéria (63 milhões); a Etiópia (43 milhões); a Indonésia (39 milhões); a República Democrática do Congo (37 milhões); o Bangladesh (26 milhões); a República Unida da Tanzânia (22 milhões); o Quénia (16 milhões); e o Paquistão (16 milhões).

A UNICEF sublinha que as mulheres e as raparigas são afectadas de forma desproporcionada pela falta de acesso a água potável. Estima-se que sobre elas recai 71 por cento do fardo que representa a recolha e o transporte de água para consumo.

O programa da UNICEF nos sectores WASH (água/saneamento e higiene) está em curso em mais de 100 países, e novas iniciativas, como a perfuração de poços pouco dispendiosos e uma planificação comunitária relativamente à salubridade da água permite abastecer de água potável famílias que vivem em zonas mais isoladas. A título de exemplo, desde 2012, a UNICEF tem vindo usar furos abertos manualmente no Paquistão para abastecer cerca de 100.000 pessoas com água potável. O programa “WASH in Schools” (Água, Saneamento e Higiene nas Escolas), apoiado pela UNICEF, proporcionou instalações de água potável, saneamento e higiene a milhões de alunos em escolas de todo o mundo.

Esta semana, a UNICEF lançou uma campanha global nas redes sociais com o objectivo de exigir que sejam tomadas medidas em benefício dos 768 milhões de pessoas que continuam sem acesso a água potável. Pede-se aos seguidores da UNICEF no Facebook, Twitter e Instagram que discutam o que significa a água para eles através do uso de fotografia e da hashtag #WaterIs a fim de ajudar a perceber o que significa viver sem acesso a água potável.
 

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