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porUNICEF
fonteUNICEF
a 14 FEV 2014

A terrível crueldade e violência contra crianças na República Centro-Africana tem de acabar, diz a UNICEF

Elementos da UNICEF na região da África oriental afirmaram hoje que estão profundamente chocados com a crueldade com que as crianças estão a ser mortas e mutiladas na República Centro-Africana e com a impunidade destes actos. 

Segundo a agência para as crianças, nas últimas semanas têm-se registado níveis de violência sem precedentes contra as crianças em ataques sectários e de retaliação por parte das milícias anti-balaka e ex-combatentes Séléka – actos que constituem gravíssimas violações contra as crianças.

“As crianças estão a ser cada vez mais alvo de violência por causa da sua religião ou da sua comunidade,” afirmou o Director Regional da UNICEF para a África Central e Ocidental, Manuel Fontaine. “A violência sectária na RCA intensificou-se, tanto na capital Bangui como na região centro e oeste do país.”

Pelo menos 133 crianças foram mortas ou mutiladas, algumas delas de forma horrível, nos últimos dois meses em que se verificou a escalada da violência étnico-religiosa.

A UNICEF verificou casos de crianças decapitadas e mutiladas e tem conhecimento de outros casos de crianças feridas em fogo cruzado que tiveram que sofrer amputação dos seus membros porque a insegurança não permitiu que fossem levadas para um hospital a tempo. 

Na cidade de Boali, a noroeste da capital, um quarto das vítimas mortais são crianças. Desde o início de Dezembro, 22 crianças foram mortas e 42 gravemente feridas. 

Embora a violência esteja a ser cometida por todos os grupos, a mais recente vaga de ataques dirigidos a populações muçulmanas deu origem à evacuação de comunidades inteiras e a um aumento significativo do número de crianças que ficaram sozinhas, separadas das suas famílias. Estas crianças correm riscos especialmente elevados.

A UNICEF apela ao governo, líderes comunitários, religiosos e da sociedade civil que contam com a confiança das comunidades para que ajudem a pôr fim a esta violência e que trabalhem em conjunto com vista à reconciliação.

“Não há futuro para um país onde os adultos podem deliberada e cruelmente atacar crianças com total impunidade,” acrescentou Manuel Fontaine. “Todas as crianças na RCA devem ser protegidas.”

A UNICEF acrescenta que as violações graves contra crianças devem ser investigadas, julgadas e punidas.

- Os grupos armados e as milícias no país devem ser desarmados de imediato.
- A assistência humanitária imparcial deve poder chegar às crianças em maior risco.
- A segurança deve ser restaurada pelas forças nacionais, da União Africana e pelas tropas francesas para que as famílias possam regressar às suas casas.
- A reconciliação deve ser promovida. O governo de transição, a sociedade civil, as organizações religiosas e de jovens devem trabalhar em conjunto em prol da reconciliação.


“Os ataques contra as crianças devem ser denunciados sistematicamente pela sociedade civil, o governo de transição, as organizações internacionais e pelos media,” afirmou Manuel Fontaine. “A impunidade tem de acabar.”
 

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