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porPedro Krupenski
fontePlataforma
a 03 JAN 2014

O Desenvolvimento em 2013 – Balanço de um ano marcado pela “crise”

O termo mais usado nos meios de comunicação social durante o ano de 2013 foi “crise”. Com efeito, a crise foi - tem sido - um fenómeno com todos tivemos que aprender a viver. A crise tem sido causa e justificação para muitas mudanças, umas para pior e outras para melhor. No sector público do desenvolvimento e da cooperação, as mudanças que ocorreram foram quase na generalidade para pior: na ausência constante de uma estratégia para a cooperação (em permanente revisão durante mais de 2 anos) e a consequente falta de rumo para a mesma, permitiu que certas decisões, impulsionadas pelos ditames inexoráveis das finanças públicas, obstinados com os cortes na despesa pública, fossem consideradas possíveis e coerentes. Na verdade, só perante a falta de noção sobre o caminho a percorrer é que cegamente (pois haveria outras maneiras de o fazer poupando o mesmo dinheiro) foi possível fundir o IPAD - Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento com o Instituto Camões, reduzir os respectivos orçamentos para pouco mais de metade e subordinar a Cooperação Pública Portuguesa à Diplomacia Económica.

A instabilidade provocada por estas mudanças, a excessiva rotatividade dos dirigentes públicos do sector e a evidente falta de preparação técnica (e também política) de alguns destes dirigentes, juntamente com aquelas medidas, levou a que o sector retrocedesse décadas. Não é sequer necessário confrontar o actual estado das coisas com compromissos de anteriores governos. Basta cruzar com os assumidos já pelo governo em funções. Em Busan, em 2011, o governo comprometeu-se com a Eficácia da Ajuda. Para tanto, entre outros, teria de a tornar previsível, alinhada, desligada, coerente e transparente. Ao longo de 2013 foi tornando-se cada vez menos tudo aquilo a que se comprometeu.

A falta de apoio e de interlocução públicas, a crise de liquidez por que passam as empresas, a redução do rendimento das famílias e das pessoas individuais (quer a nível nacional, quer a nível europeu) levou a que as ONGD procurassem repensar-se e reposicionar-se no país e no mundo.

A Plataforma, ciente dessa necessidade das suas Associadas, centrou quase todos os seus esforços de 2013 em acções de apoio a esse processo:

  • Deu início a um longo percurso de reflexão estratégica – ainda em curso – através do qual quis levar as ONGD a decidir, face ao que são e ao que esperam da Plataforma, sobre como deve a Plataforma actuar nos próximos anos.
  • Deu continuidade a processos de aproximação a potenciais parceiros para as ONGD numa óptica de desenvolvimento sustentável, como são o sector privado, a academia e o poder local.
  • Reforçou a sua capacidade de lobby e advocacy produzindo documentação, ajustando tácticas em função dos diferentes interlocutores, ampliando a sua rede de contactos e filiações, aproximando-se dos media.
  • Melhorou significativamente a sua comunicação (conteúdos, suportes e canais), adaptando-a aos seus públicos e tornando-se assim mais apetecível e compreensível por um público mais vasto.
  • Reforçou a sua oferta de formação, procurando em cada momento adequá-la às necessidades das suas Associadas.

Acabámos o ano com resultados positivos, financeiros e outros, mas com a convicção de que podemos fazer mais e melhor. Que a diversidade das Associadas sejam um factor que encoraje a cultura de partilha e de coesão. Que a escassez de recursos impulse a união. Que os objectivos comuns falem mais alto que os de cada uma. Que saibamos todos ver mais longe … são os votos para 2014.

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