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porLuís Mah
fonteFEC
a 10 OUT 2013

À Procura do Novo Paradigma de “Desenvolvimento”

No contexto atual, caracterizado pelas desigualdades crescentes (entre países e dentro de países), pobreza e fome (que deixaram de ser fenómenos exclusivos da África, Ásia ou América Latina), das graves consequências sociais como resultado das medidas de austeridade na Europa, da incapacidade em se encontrar um consenso global em torno da luta contra as alterações climáticas e de uma sensação crescente que são as empresas, mais do que a política, que comandam o destino das sociedades, é ainda possível encontrar pessoas e organizações que, pelo mundo fora, não cruzam os braços perante a situação, que discutem a procura de modelos alternativos de “desenvolvimento”.

Modelos que proponham reformas políticas, económicas e sociais e que possibilitem uma mudança do sistema atual que parece estar longe de dar respostas às necessidades urgentes das sociedades. Existe um corpo cada vez maior de evidências, experiências e vivências que demonstram que é possível construir modelos sociais económicos mais justos, equitativos e sustentáveis. Mas continuam ainda a ser em pequena dimensão e não se sabe ainda de que forma é que se pode conseguir o mesmo a uma escala maior para uma mudança de paradigma. As organizações católicas têm participado ativamente neste debate e na procura de modelos alternativos centrados na comunidade e solidariedade. Na base deste envolvimento está cada vez mais presente, e de forma evidente, a Doutrina Social da Igreja e como pode ter um papel central e transformador na forma como se olha para o mundo e que mundo é que se quer nos próximos tempos.

Os desafios são imensos e a complexidade dos problemas, interligados a nível global, tornam difíceis as respostas e soluções sem um consenso que seja também global, entre governos, empresas e sociedade civil. As propostas são muitas: a defesa dos direitos da natureza como forma de garantir a sua proteção, a distribuição mais justa de utilização dos recursos na Terra, o fomento de economias centradas nas energias renováveis, sistemas fiscais mais equitativos, a redução do consumo nas economias desenvolvidas como forma de permitir mais consumo nas economias emergentes e em desenvolvimento, a definição e gestão sustentável de Bens Comuns, a localização das economias. O debate não se tem focalizado apenas em propostas, mas também na própria linguagem associada ao discurso sobre desenvolvimento e as suas conotações com o crescimento económico. Questiona-se se já não é altura de deixarmos de falar de desenvolvimento e crescimento e passarmos a falar do que é “suficiente”, do que “chega” para se “bem viver”.

O debate continua bem vivo e a todos e todas é pedido o seu contributo, porque são cada vez mais os homens e as mulheres que não se identificam com o modelo de “desenvolvimento” atual e as respostas que oferece para podermos viver em comunhão na sociedade e com o planeta.

(Este artigo é resultado da presença, graças a um convite da FEC, num encontro de reflexão organizado pela CIDSE, uma aliança de organizações católicas europeias e norte-americanas, em Maio de 2013)

(Artigo escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico)

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