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porFGS
fonteImpulso Positivo
a 26 AGO 2013

Acolher órfãos de pais vítimas de VIH/Sida – “Sementes do Amanhã”

O estigma e a negligência muitas vezes de mãos dadas com o facto de se ser filho e tantas vezes órfão de pais com VIH/Sida fez com que em 2004 nascesse o projeto “Sementes do Amanhã” pelas mãos da Fundação Gonçalo da Silveira. Hoje existem 6 casas nas quais vivem 64 crianças num ambiente familiar e propício a um crescimento e desenvolvimento digno.

Organização: Fundação Gonçalo da Silveira
Projeto de Cooperação: “Sementes do Amanhã”

Necessidade identificada: Por toda a África é preocupante a condição em que vivem diariamente crianças órfãs – de pai, mãe ou ambos – devido ao flagelo do VIH/Sida. De acordo com a INSIDA (2009), em Moçambique a prevalência do vírus do VIH nestas crianças é de 3.2%, a que se associa uma maior vulnerabilidade e acesso mais limitado à educação, saúde e alimentação.

A norte de Moçambique, no Planalto de Angónia, Província de Tete, encontra-se a Missão Jesuíta de Fonte Boa. Da proximidade desta Missão com as comunidades locais, em 2003 surgiu um pedido específico para resposta ao crescente número de crianças estigmatizadas e negligenciadas por serem órfãs de pais vítimas de VIH/Sida. Assim nasceu, em 2004, o projeto de construção de seis casas-lar para acolhimento destas crianças. A FGS - Fundação Gonçalo da Silveira e a Região Moçambicana da Companhia de Jesus (parceiro local) procuraram, desta forma, responder diretamente a uma necessidade local com meios locais.

Descrição do projeto: O processo de construção das habitações foi faseado e decorreu entre 2004 e 2009 com o apoio de várias entidades entre as quais a Cooperação Portuguesa, a Fundação Calouste Gulbenkian e a ONGD Manos Unidas.

Foram construídas habitações nas comunidades de Bintoni, Makodza Kodza, Kayia, Chingamba, Mangombo e Nkhawo, evitando assim a deslocação e institucionalização desenraizada das crianças. 

A identificação das crianças beneficiárias foi progressiva e a seleção feita em coordenação com entidades oficiais (as Direções Provinciais de Educação, da Mulher e Ação Social, e de Saúde), seguindo critérios previamente identificados. Todo o processo foi público e participado – desde a localização das casas, à seleção dos beneficiários e equipa técnica.

As 6 casas-lar estão localizadas em zonas acessíveis mesmo em tempo de chuvas, para além de próximas da escola e do posto médico.

Procurou-se a sua inserção plena no seio das comunidades através de construção e equipamento em tudo semelhante às restantes habitações locais. Promoveu-se ainda a criação de um ambiente familiar para estas crianças, incentivando-se a manutenção do constante contacto com os seus parentes - na cultura africana, a “família ampliada” – favorecendo, assim, a sua posterior reintegração social.

O dia-a-dia em cada uma destas casas é hoje assegurado por uma equipa composta por duas mulheres de cada comunidade – uma “mamã” (coordenadora) e uma “tia” (auxiliar). O responsável da Missão da Fonte Boa, P. Vítor Lamosa, presta apoio semanal aos lares assegurando o seu normal funcionamento. Mensalmente realizam-se ainda Conselhos Comunitários para avaliação e prestação de contas.

Resultados Obtidos: Em pleno funcionamento há 4 anos as 6 casas beneficiam hoje 64 crianças - com idades compreendidas entre os 0 e os 12 anos –
que frequentam a escola e beneficiam dos cuidados de saúde. Têm proporcionado um ambiente familiar com dignidade, relações de vinculação estáveis, com apoio e supervisão de adultos. Garantem, como tal, um desenvolvimento humano digno às crianças que delas beneficiam.

As 6 casas-lar constituem um legado para as comunidades em que estão inseridas pois o projeto conseguiu não só a sua construção e equipamento como tem procurado dinamizar, pequenas atividades geradoras de rendimento, fator necessário à manutenção da autonomia das casas e favorável à dinamização económica local.

Pontos Fortes e Fracos do Projeto: Os pedidos da comunidade para acolhimento de crianças são constantes, não sendo possível aos lares responder no imediato a todos eles. Algumas outras fragilidades são verificadas localmente: o roubo de animais e produtos agrícolas e as constantes necessidades de reparação dos moinhos têm comprometido uma maior estabilidade financeira das casas. Por outro lado, existe um potencial agrícola por explorar – o que representaria um reforço financeiro.

A resposta eficaz a um problema ainda tão expressivo na região, a presença e apoio permanente da Missão Jesuíta da Fonte Boa e o grande envolvimento e contribuição das comunidades no dia-a-dia destas casas constituem-se como mais-valias fundamentais. A rede criada entre comunidade, coordenação do projeto e autoridades locais permite a concretização dos objetivos traçados. 

(Artigo escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico)

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