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porIMVF
fonteIMVF
a 26 AGO 2013

Projecto de Cuidados Especializados e Telemedicina

Área: Saúde - Telemedicina
Área Geográfica: São Tomé e Príncipe

i) Necessidade identificada
O Instituto Marquês de Valle Flôr (IMVF) desenvolve desde 1988 um amplo programa de intervenção em São Tomé e Príncipe no domínio da saúde. Com o apoio da Cooperação Portuguesa, Fundação Calouste Gulbenkian, Direção-Geral de Saúde (DGS), e em parceria com o Governo de São Tomé e Príncipe, o programa Saúde Para Todos permitiu a remodelação de um Serviço de Saúde ineficaz para um Serviço de Saúde descentralizado que abrange, atualmente, a totalidade do território e população nacionais.

O Projeto de Cuidados Especializados e Telemedicina, iniciado em janeiro 2012 no arquipélago, centrou-se nos Serviços de Imagiologia do Hospital Dr. Ayres de Menezes introduzindo a telemedicina como uma ferramenta tecnológica fundamental e inovadora que permite o seguimento e orientação de casos clínicos mais complexos e, paralelamente, a formação e acompanhamento à distância dos clínicos são-tomenses, diminuindo simultaneamente as evacuações sanitárias para Portugal.
 

ii) Descrição do Projeto
A complementaridade entre a Plataforma Medigraf, sistema de telemedicina desenvolvido pela PT-Inovação, e o sistema PACS, introduzido pelo projeto, é a novidade desta abordagem que apostou na melhoria do arquivo clínico do paciente e num leque de novas soluções para meios complementares de diagnóstico e indicações terapêuticas em tempo real e diferido, fazendo desta plataforma digital um serviço de vanguarda no setor. As consultas de telemedicina na primeira geração desta plataforma de telemedicina realizaram-se em março de 2011.

A identificação de pequenos constrangimentos e potencialidades inspirou o aprimoramento deste instrumento e, em parceria com a PT Inovação, o IMVF avançou em Junho de 2013 com uma nova ferramenta que coloca Portugal na vanguarda das Tecnologias de Informação e Comunicação ao serviço da Saúde. A 2ª geração da plataforma Medigraf é agora um interface de baixo custo, em português, portátil e compatível com qualquer equipamento e/ou meio de diagnóstico médico disponível, cuja ligação a um computador conectado à internet apenas necessita de uma largura de banda de 1MB, o que faz que os custos existentes após o final do projeto, face a necessidade em largura de banda móvel, sejam praticamente nulos.

iii) Resultados Obtidos
Com a plataforma de telemedicina Medigraf de 1ª geração foi alcançada uma redução de 61 %, do número de pedidos de evacuações sanitárias para Portugal entre 2011 e 2012. A par dos benefícios da proximidade dos cuidados prestados, a redução das evacuações poupou 20 % do orçamento para a Saúde do Estado são-tomense, e cerca de 1 milhão de euros ao Ministério da Saúde Português. Desde o início das atividades de telemedicina, foram ainda inseridos na plataforma mais de 24.898 exames, das diversas especialidades médicas, estando os mesmos disponíveis para consulta à distância.

iv) Pontos fortes e fracos do projeto
Pontes fortes: Esta plataforma permite uma interação instantânea entre 2 ou mais intervenientes – quadros clínicos e pacientes em qualquer parte do mundo – ou a consulta de ficheiros clínicos completos ou meios complementares de diagnóstico em direto e em diferido, colmatando desta forma a falta de assistência adequada por quadros médicos especializados. Possibilita ainda a avaliação de diagnósticos e orientação clínica e terapêutica, bem como a formação, aconselhamento ou co-intervenção à assistência de forma especializada e diferenciada a um paciente em direto. Apresenta também uma grande versatilidade por funcionar em ambiente WEB, com visualização e manipulação de ficheiros clínicos sincronizada.

Pontos fracos: O envolvimento e pro-atividade dos profissionais e técnicos dos países envolvidos é indispensável para o êxito deste projeto, por outro lado, o potencial desta plataforma para o Desenvolvimento é enorme, pelo que seria um desperdício se esta tecnologia não fosse expandida a outros países. Estimamos que esse alargamento a outros países teria o custo um de 100.000€/ano, um custo muito reduzido face aos ganhos em saúde e, por conseguinte, para o PIB de cada país.  A aprovação e sucesso deste projeto resultarão, em larga escala, das parcerias institucionais e dos financiadores interessados.

(Artigo escrito ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico)

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