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fonteUNICEF
a 15 ABR 2013

Os progressos realizados mostram que é possível vencer os atrasos de crescimento das crianças

Um novo relatório da UNICEF divulgado hoje mostra que têm sido feitos verdadeiros progressos na luta contra os atrasos de crescimento – a face escondida da pobreza para 165 milhões de crianças com menos de cinco anos. Este relatório prova que é possível e imperativo acelerar os progressos alcançados.

O relatório "Melhorar a nutrição Infantil: o imperativo atingível para o progresso global" confirma que para que a luta contra os atrasos de crescimento tenha sucesso é essencial que se dê uma atenção muito especial à gravidez e aos dois primeiros anos de vida da criança. Os atrasos de crescimento não dizem apenas respeito à estatura de uma criança (baixa para a sua idade). Podem também traduzir-se por atrasos de desenvolvimento cerebral e da capacidade cognitiva. 

“O atraso de crescimento pode anular as perspectivas de futuro de uma criança e privar um país das suas perspectivas de desenvolvimento,” declarou o Director Executivo da UNICEF, Anthony Lake. “Os dados de que dispomos sobre os progressos que têm sido alcançados mostram que é tempo de acelerar estes progressos.”

Ao nível global, uma em cada quatro crianças menores de cinco anos sofre de atraso de crescimento devido à subnutrição crónica nos períodos cruciais do seu crescimento. Cerca de 80 por cento das crianças que sofrem de atrasos de crescimento no mundo vivem em apenas 14 países.

O relatório da UNICEF destaca os sucessos alcançados através da implementação em larga escala de programas de nutrição e da melhoria de políticas, programas e mudanças de comportamentos em 11 países: Etiópia, Haiti Índia, Quirguistão Nepal, Peru, República Democrática do Congo, República Unida de Tanzânia, Ruanda, Sri Lanka e Vietname.

Os danos que os atrasos de crescimento causam numa criança ao nível físico e cerebral são irreversíveis. Estes afectam negativamente o desempenho escolar e o seu sustento no futuro. Trata-se de uma injustiça que, na maior parte dos casos, passa de geração em geração e que tem consequências negativas para o desenvolvimento nacional. O risco de morte devido a doenças infecciosas é também maior para as crianças com atraso de crescimento do que para as outras.  

Mas, em algumas zonas da Índia – país onde vivem 61 milhões de crianças com atrasos de crescimento – a situação tem vindo a melhorar. Em Maharashtra, o estado mais rico e o segundo mais populoso do país, 39 por cento das crianças menores de dois anos sofriam de atraso de crescimento em 2005 – 2006. Segundo um inquérito sobre nutrição levado cabo em 2012 em todo estado, registou-se uma descida destes índices para 23 por cento, em grande medida resultante do apoio dados aos agentes locais que trabalham no terreno com o objectivo de melhorar a nutrição infantil. 

No Peru, os atrasos de crescimento diminuíram um terço entre 2006 e 2010 na sequência da Iniciativa de Luta contra a Má Nutrição Infantil, que pressionou os candidatos políticos a assinarem o compromisso
“5 X 5 X 5” - com o objectivo de reduzir no espaço de 5 anos, 5% os atrasos de crescimento das crianças menores de 5 anos de idade, e diminuir as desigualdades entre as zonas urbanas e rurais.

O Peru aproveitou a sua experiência de projectos mais pequenos que produziram resultados e integrou a nutrição noutros programas. Foi também dada prioridade às crianças e mulheres mais carenciadas e às estruturas governamentais descentralizadas.

A Etiópia reduziu de 57% para 44% a percentagem de crianças com atrasos de crescimento e a taxa de mortalidade de menores de cinco anos de 139 por 1000 nados-vivos para 77/1000 entre 2000 e 2011. O programa nacional de nutrição teve um papel fundamental, proporcionando uma estrutura de segurança nas zonas mais pobres e reforçando o apoio às comunidades em matéria de nutrição.

Os atrasos de crescimento e outras formas de subnutrição podem ser reduzidos através de uma série de medidas simples e com resultados comprovados tais como a melhoria da nutrição das mães, o aleitamento materno exclusivo desde o nascimento, a administração de suplementos de vitaminas e minerais bem como uma alimentação adequada, especialmente durante a gravidez e os dois primeiros anos de vida de uma criança.

O relatório afirma que as soluções existentes e o trabalho de novas parcerias como o movimento Scaling up Nutrition, representam uma oportunidade sem precedentes para combater a subnutrição infantil ao nível dos vários países e acelerar os progressos mediante projectos coordenados com o apoio de doadores e com objectivos mensuráveis.

Relatório (em inglês).

 

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