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fonteGCACP
a 14 NOV 2012

A Pneumonia Infantil continua a ser a principal causa de morte

Assinalando a quarta edição anual do Dia Mundial da Pneumonia, a 12 de Novembro, os líderes mundiais e a Global Coalition Against Child Pneumonia (Coligação Global contra a Pneumonia Infantil) apelam para maiores esforços no combate à pneumonia infantil, que continua a ser a principal causa de morte de crianças menores de cinco anos. Só em 2011 a pneumonia ceifou 1.3 milhões de vidas, e foi responsável por cerca de uma em cada cinco mortes de crianças à escala global.

Mas existem soluções simples, afirmam responsáveis da saúde.

“A pneumonia pode ser prevenida e curada. Porém, há demasiado tempo que é a principal causa de mortalidade infantil no mundo. Sabemos o que fazer, e temos conseguido grandes progressos – mas precisamos de fazer mais. Temos de incrementar as soluções comprovadas e garantir que estas abranjam todas as crianças que delas precisam,” afirmou o Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que lidera Every Woman Every Child (Todas as Mulheres e Todas as Crianças), um movimento transversal que alavancou mais de 20 mil milhões de dólares para a saúde das mulheres e crianças e visa salvar 16 milhões de vidas até 2015.

O investimento na prevenção, tratamento e protecção de crianças contra a pneumonia tem contribuído para um declínio significativo na mortalidade infantil no decurso da última década, mas o acesso a instalações de saúde e tratamento continua fora do alcance de muitas crianças nos países em desenvolvimento, onde ocorrem 99 por cento das mortes por pneumonia. Segundo a Global Coalition Against Child Pneumonia (Coligação Global contra a Pneumonia Infantil), os líderes e financiadores dos países devem dar prioridade aos esforços e investimentos em intervenções eficazes, incluindo acesso a vacinas, tratamento adequado com antibióticos, e saneamento melhorado, bem como a promoção de práticas como a do aleitamento materno exclusivo, lavagem frequente das mãos, recurso à prestação de cuidados, e a utilização de fogões com escoamento para reduzir a poluição do ar dentro de casa. Várias destas intervenções também ajudam a fazer frente à segunda maior causa de morte de crianças – a diarreia.

Para os casos de pneumonia, antibióticos como a amoxicilina são um dos métodos de tratamento mais simples e baratos. Contudo, os antibióticos são administrados a menos de um terço das crianças com suspeita de pneumonia, e apenas uma pequena minoria recebe a amoxicilina sob a forma ideal para as crianças pequenas: um comprimido que se dissolve numa pequena quantidade de líquido ou leite materno. Segundo a UN Commission on Life-saving Commodities for Women and Children (Comissão das Nações Unidas sobre Produtos que Salvam a Vida de Mulheres e Crianças), tornar a amoxicilina disponível sob a forma de comprimido solúvel para as crianças que correm maior risco de morrer por pneumonia permitiria potencialmente salvar a vida a 1.56 milhões de crianças em cinco anos.

De acordo com o Pneumonia Progress Report (Relatório sobre a evolução da pneumonia) hoje divulgado pelo International Vaccine Access Center (IVAC – Centro Internacional de Acesso às Vacinas) na Johns Hopkins [University], 75 por cento de todos os casos de morte por pneumonia infantil no mundo têm lugar em apenas 15 países, demonstrando o impacte que podemos alcançar mediante esforços direccionados. O relatório refere também que nenhum desses países alcançou as metas de cobertura de 90 por cento para as intervenções cruciais em matéria de pneumonia recomendadas pelo Global Action Plan for the Prevention and Control of Pneumonia (GAPP – o Plano de Acção Global para a Prevenção e o Controlo da Pneumonia).

O GAPP, publicado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) em 2009, especificava que as mortes por pneumonia infantil podem ser reduzidas em dois terços se três intervenções para a saúde infantil – aleitamento materno, vacinação e gestão dos casos incluindo o fornecimento dos antibióticos apropriados – forem alargadas para abranger 90 por cento das crianças do mundo.

Nos últimos três anos, a GAVI Alliance ajudou mais de 20 países a introduzir a vacina pneumocócica conjugada que previne a causa mais comum da pneumonia infantil. Embora estejam a ser obtidos progressos, actualmente apenas sete dos 15 países identificados no relatório do IVAC têm níveis de cobertura da vacina iguais ou superiores a 80 por cento. As taxas de cobertura do aleitamento materno e do acesso a antibióticos são igualmente baixas na maior parte desses países.

Os técnicos de saúde de primeira linha desempenham um papel decisivo para fazer chegar as vacinas e os tratamentos às crianças que deles mais necessitam, sendo, com frequência, a primeira e única ligação de muitas crianças à saúde. No entanto, a OMS estima que exista actualmente uma carência de, pelo menos, um milhão de técnicos de saúde de primeira linha, especialmente em África e partes da Ásia. Esforços como o da campanha Every Beat Matters, da Save the Children, estão a chamar a atenção para esta escassez e apelam à tomada de medidas.

Serão realizados eventos comemorativos do quarto Dia Mundial da Pneumonia em mais de uma dezena de países, incluindo Argentina, Burkina Faso, Camarões, Costa de Marfim, Estados Unidos da América, Filipinas, Gana, Haiti, Índia, Nigéria e Zâmbia. Nos EUA, vários marcos arquitectónicos em 15 cidades vão exibir luzes azuis a fim de sensibilizar as respectivas comunidades para o flagelo da pneumonia infantil e para o que os cidadãos norte-americanos podem fazer para ajudar. A lista de edifícios que foram associados a este esforço inclui o Wrigley Building (Chicago), as Trump Towers SoHo (Nova Iorque) e o Pacific Science Center (Seattle), entre outros. Para mais informação acerca do Dia Mundial da Pneumonia e actividades relacionadas, visite
www.worldpneumoniaday.org.

Factos
• A pneumonia é a maior causa isolada de morte de crianças menores de cinco anos à escala global, sendo responsável por 18 por cento dos aproximadamente 6.9 milhões de mortes por ano — ou cerca de 1.3 milhões de crianças por ano.
• A cada 25 segundos, uma criança morre de pneumonia — cerca de 3.400 por dia.
• A pneumonia pode decorrer de doenças evitáveis por vacina com o sarampo e a tosse convulsa. Apesar de a cobertura de vacinas contra estas doenças ser de 85 por cento para cada, é frequente as crianças mais pobres ficarem desprotegidas.
• Famílias de baixo rendimento queimam madeira, excremento animal, carvão e outros combustíveis sólidos para cozinhar ou aquecer, com fogueiras e fogões pouco ventilados, expondo as crianças a um elevado risco de pneumonia devido à poluição do ar dentro de casa. A sobrelotação das casas também contribui para elevados níveis de pneumonia infantil.
• A pneumonia por Streptococcus pneumoniae e por Haemophilus influenzae tipo b (Hib) são duas das principais pneumonias bacterianas que podem ser evitadas através da vacina pneumocócica e da vacina Hib.
• A maior parte dos países de baixo rendimento introduziram as vacinas Hib. A vacina pneumocócica conjugada está disponível em muitos países, embora os progressos na introdução da PCV estejam a ser mais lentos nos países de baixo rendimento.
• Outras medidas preventivas incluem: ambientes domésticos limpos, com água potável e saneamento melhorado; acesso consistente a cuidados de saúde; e nutrição adequado para mães e crianças, incluindo aleitamento materno e suplementos nutricionais. A lavagem das mãos com água e sabão reduz a incidência da pneumonia em 23%, mas não é uma prática de rotina na maior parte dos países em desenvolvimento, especialmente entre a população pobre.
• O tratamento pronto e eficaz da pneumonia pode salvar vidas, mas diagnosticar a doença pode ser problemático em países de baixo rendimento, que podem não dispor de instrumentos adequados. As comunidades pobres dependem muitas vezes de remédios caseiros ou procuram cuidados fora do sistema formal de saúde.
• Menos de um terço das crianças com pneumonia receberam antibióticos nos países em desenvolvimento, e a média de acesso a esses medicamentos no Sul da Ásia é de 18 por cento. Nas regiões em desenvolvimento, as crianças com pneumonia em áreas urbanas têm ligeiramente mais probabilidades de receber antibióticos que as crianças nas áreas rurais.
• Um relatório recente da Comissão das Nações Unidas para os Produtos que Salvam Vidas de Mulheres e Crianças, liderada pela UNICEF e pelo FNUAP, estima que aproximadamente 1.56 milhões de vidas podem ser salvas em cinco anos através de uma maior disponibilidade de amoxicilina, o antibiótico barato que é utilizado no tratamento da pneumonia. Cada dose de tratamento com amoxicilina custa cerca de 0.30 cêntimos de dólar.
• Em Outubro, o Paquistão tornou-se o primeiro país no Sul da Ásia a introduzir uma vacina pneumocócica, que passará a estar disponível gratuitamente ao abrigo do Programa de Imunização Alargado. Tal foi possível através de uma parceria entre o Governo do Paquistão e a GAVI Alliance – que inclui a UNICEF, a OMS e a sociedade civil. O governo paquistanês também renovou o seu compromisso para o reforço do actual sistema de imunização de rotina no país.

Fonte: Coligação Global Contra a Pneumonia Infantil

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