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fonteFEC
a 17 OUT 2012

Agricultura: do problema à solução

Garantir o direito à alimentação num mundo de constrangimentos climáticos

Relatório da CIDSE defende a agricultura sustentável e de pequena dimensão para alimentar um planeta no auge das alterações climáticas
 
Um terço das emissões de gases com efeito de estufa provém das atividades agrícolas em geral e da agricultura industrial em particular. No entanto, os agricultores estão entre os primeiros a ser afetados pelos efeitos das alterações climáticas, devido à devastação das culturas por condições meteorológicas extremas. As atividades agrícolas poderão reduzir as suas emissões optando por sistemas alimentares mais sustentáveis, de pequena dimensão e mais resistentes ao clima errático. Esta é a solução defendida pelo novo relatório da CIDSE, lançado por ocasião da reunião da FAO a decorrer em Roma de 15 a 20 de Outubro. A CIDSE é uma aliança internacional de organizações católicas para o desenvolvimento, representada em Portugal pela FEC – Fundação Fé e Cooperação.
 
“A agricultura é, ao mesmo tempo, culpada e vítima das alterações climáticas. Precisamos urgentemente de alterar o modo como produzimos e consumimos os alimentos. Só assim será possível, ao mesmo tempo, alimentar a crescente população mundial, erradicar a fome e respeitar a natureza. A exploração dos recursos naturais é tal, que corremos o risco da fome se espalhar e ameaçar o futuro da humanidade e do planeta”, afirmou Bernd Nilles, Secretário Geral da CIDSE.
 
De acordo com o relatório «Agricultura : do problema à solução», o benefício de se investir em sistemas sustentáveis de produção de alimentos que reduzam as emissões de gases de efeito estufa é duplo: i) por um lado, reduz a contribuição humana para as alterações climáticas (mitigação) ; ii) por outro, aumenta a capacidade da agricultura para lidar com as alterações climáticas (adaptação).
 
Os alimentos produzidos através de métodos industriais geram uma quantidade considerável de gases de efeito estufa, por meio dos fertilizantes nitrogenados sintéticos utilizados, pela emissão de metano pelos animais e pela desflorestação.
 
«Devemos aplicar princípios ecológicos, não apenaspara reduzir estas emissões, mas também para aumentar a resistência da agricultura às mudanças das condições meteorológicas, como chuvas irregulares, secas e inundações. Os sistemas de produção ecológicos são mais diversificados e favorecem a biodiversidade, o que os torna mais resistentes às condições meteorológicas irregulares, comparando com os sistemas de monocultura, que caracterizam a agricultura industrial », afirma Gisèle Henriques, Diretora de Política Alimentar da CIDSE.
 
A agro-indústria defende que a solução para a crise alimentar passa pelo aumento da oferta de alimentos, através da intensificação da sua produção. No entanto, esta solução não vai ao cerne da questão. Na verdade, apesar do crescimento da população mundial, hoje produzimos 17% de calorias a mais por dia, por pessoa, do que há 30 anos atrás.
 
«As populações mais pobres do planeta passam fome, enquanto 30% dos alimentos são desperdiçados nos países ricos, onde a obesidade já é um problema real de saúde. Não podemos erradicar a fome no mundo se não eliminarmos as suas causas profundas, entre as quais as desigualdades e a exclusão. Para tal, devemos ter particular atenção aos pequenos produtores, que são maioritariamente mulheres. Elas não alimentam apenas a maior parte da população mundial, mas são também as mais vulneráveis à insegurança alimentar», segundo Gisèle Henriques.
 
Agricultura: do problema à solução - Garantir o direito à alimentação num mundo de constrangimentos climáticos (clique para fazer o download – versão inglesa)
 
A CIDSE pede políticas intersectoriais coerentes para defender o direito à alimentação e faz recomendações políticas específicas às duas instâncias das Nações Unidas responsáveis pelas questões relacionadas com a segurança alimentar e com as alterações climáticas, o Comité Mundial de Segurança Alimentar (CMSA, que se reunirá em Roma, de 15 a 20 de Outubro) e a Conferência Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (CQNUAC, que se reunirá em Doha, de 16 de Novembro a 7 de Dezembro).
 
Leia o relatório (versão ENG, versão ES, versão FR
   

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