|
porCésar Neto
fontePlataforma
a 01 OUT 2012

Plataforma promove seminário sobre "Parcerias para o Desenvolvimento – ONGD e Empresas"

No passado dia 26 de Setembro, teve lugar na Fundação Calouste Gulbenkian o seminário “As parcerias para o Desenvolvimento – ONGD e Empresas”, organizado pela Plataforma Portuguesa das ONGD em parceria com a ELO (Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Económico e a Cooperação), a SOFID e a Fundação Calouste Gulbenkian.

Este seminário visou promover a reflexão e fomentar o debate sobre as vantagens de possíveis parcerias entre ONGD e Empresas – uma das 26 propostas que integram o documento Propostas para a Cooperação Portuguesa apresentado pela Plataforma em Maio deste ano. A auscultação das partes envolvidas é fundamental para a definição dos termos de engajamento destas parcerias, pelo que a realização de encontros mais frequentes entre ONGD e Empresas é determinante para que estas parcerias se tornem rapidamente uma realidade.

  
O seminário contou com a participação de cerca de 40 pessoas, representando empresas, ONGD e outras organizações/instituições, como o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, a Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, entre outros.
 
A sessão de abertura contou com as palavras do Presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Artur Santos Silva, que congratulou os organizadores desta iniciativa realçando a importância de as ONGD procurarem formas alternativas de financiamento para que assim consigam prosseguir com os seus projectos e continuar a contribuir activamente para o desenvolvimento.


Após esta sessão de abertura, Pedro Krupenski, Presidente da Plataforma Portuguesa das ONGD, apresentou o que a Plataforma Portuguesa das ONGD considera serem os possíveis termos de engajamento. Começou por referir que neste momento o sistema de financiamento a projectos de ONGD é insustentável, sendo, por isso, preciso encontrar alternativas. As empresas aparecem, assim, como um possível parceiro que pode ajudar a evitar uma duplicação de esforços e contribuir para a eficácia dos projectos de desenvolvimento, tal como sublinhado em 2011, no IV Fórum de Alto Nível sobre a Eficácia da Ajuda, em Busan (Coreia do Sul), onde as empresas foram consideradas como um importante actor de desenvolvimento e de cooperação.

 
O Presidente da Plataforma realçou ainda a importância de não nos esquecermos da dimensão tripartida do desenvolvimento sustentável (económico, social e ambiental), algo que pode ser fomentado com este tipo de parcerias. Para finalizar, realçou que o desenvolvimento deve ser sustentável, duradouro e acima de tudo em benefício das populações.
 
Francisco Mantero, Presidente da ELO, começou por referir que, conforme mencionado por Pedro Krupenski, as empresas foram consideradas na Cimeira de Busan como um actor de desenvolvimento e de cooperação, destacando o facto de a ELO ter sido a única organização portuguesa a assinar a declaração final desta Cimeira. Mantero apresentou depois o MAPI – Mecanismo de Apoio às Parcerias Internacionais, que pretende “dinamizar as parcerias entre ONGD e empresas no âmbito da cooperação para o desenvolvimento e ajuda humanitária e criar condições que favoreçam o reforço de capacidade de intervenção das ONGD designadamente em captar financiamento internacionais e diversificar as suas fontes de financiamento e […] favoreçam novas oportunidades de negócio para as empresas, em benefício das populações mais desfavorecidas”.
 
Aproveitou ainda para referir que as empresas têm realmente um papel muito importante no desenvolvimento e que temos de perceber que a Ajuda Pública ao Desenvolvimento é apenas um dos mecanismo de ajuda ao desenvolvimento.
 
Esta sessão terminou com a participação de José Moreno da SOFID, que começou por fazer uma apresentação do que é a SOFID, enaltecendo o papel de financiador que esta pode ter junto do sector privado, mas também junto de possíveis projectos em parceria entre empresas e ONGD. Considera que o desenvolvimento do sector privado pode ter consequências directas no desenvolvimento das populações, referindo que nos projectos que a SOFID apoia são sempre tidos em conta alguns requisitos relacionados com questões ambientais, sociais e de “governance”.
 
Após esta contextualização, José Moreno apresentou alguns casos em que o financiamento da SOFID a projectos teve consequências positivas no desenvolvimento das populações. Concluiu sublinhando que a interacção entre ONGD e Empresas de direito local, com o financiamento da SOFID, pode contribuir para impactos sociais e ambientais positivos, um aumento da responsabilidade social corporativa e uma maior sustentabilidade dos projectos.
   

 

Estas intervenções deram origem a algumas questões por parte dos presentes. Após uma ronda de perguntas, teve início a segunda parte do seminário, onde João Martins, membro da Direcção da Plataforma Portuguesa das ONGD, Francisco Mantero, Presidente da Elo e José Moreno da SOFID apresentaram alguns casos de sucesso de parcerias entre ONGD e Empresas, casos que tiveram resultados positivos para as empresas, ONGD e, acima de tudo, para as populações. Em suma, o que se pretende são relações win-win-win, onde as três partes saem a ganhar (pode encontrar a apresentação do João Martins aqui)
 
Por fim, na sessão de encerramento, Pedro Krupenski referiu que tal como foi solicitado por muitos dos presentes, o trabalho que tem sido feito para fomentar as parcerias para o desenvolvimento entre ONGD e Empresas vai continuar de uma forma regular, até que se materialize em parcerias reais.

 

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>
2019
2018
2017
2016
2015
2014
2013
2012
2011
2010