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porSimon Day
fonteGuardian
a 24 ABR 2012

Os governos devem deixar de ter uma perspectiva de curto-prazo

Os governos devem deixar de ter uma perspectiva de curto-prazo, alerta a Directora para o Desenvolvimento das Nações Unidas

A falta de vontade política fez com que, apesar das ambições de desenvolvimento sustentável demonstradas na Cimeira da Terra no Rio há 20 anos, não se verificassem progressos suficientes, alertou a Directora do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Helen Clark.
 
Num momento em que faltam 2 meses para a Cimeira Rio+20, a ex-Primeira-ministra Neozelandesa, Helen Clark afirmou que o desenvolvimento sustentável não foi considerado uma política primordial porque os governos consideram que os resultados de curto-prazo oferecem um grande risco a nível político.
 
Mas a urgência do problema significa que as pessoas têm de agir rapidamente. Helen Clark referiu numa palestra na Universidade de Cambridge que “existe um amplo consenso que, sem medidas de acção urgentes, o mundo irá mover-se além do que os cientistas chama de «limites planetários»”
 
“Além deste ponto, há um risco de uma mudança ambiental abrupta e irreversível – para o clima, biodiversidade, abastecimento de água, entre outros aspectos. Os governos serão forçados a agir”.
 
O futuro deve ser baseado na equidade e justiça, com as pessoas no seu centro, onde o foco não deve ser apenas em questões ambientais mas também no desenvolvimento social e económico, refere Helen Clark.
 
“Para mim, alcançar o desenvolvimento sustentável não significa ter de optar por um trade off entre objectivos económicos, sociais e ambientais. Trata-se de encará-los como objectivos interligados … melhor atingidos quando analisados juntos”.
 
Helen Clark realçou que o desenvolvimento de indústrias verdes, como as energias renováveis, também deve ser inclusivo e envolver 1,2 mil milhões de jovens de todo o mundo. E os mil milhões de pessoas que vivem em situações de pobreza extrema devem ver satisfeitas “as necessidade imediatas de alimentos, rendimentos e serviços, além de envolvê-las no trabalho produtivo e prático, no reparo dos ecossistemas e na construção de infra-estruturas de acesso à água”.
 
Helen Clark elogiou os exemplos de desenvolvimento sustentável activo, assente em projectos que envolvem as pessoas. O Mahatma Gandhi National Rural Employment Guarantee Act na Índia garante emprego para 55 milhões de pessoas, dos quais quase metade são mulheres, e a construção de infra-estruturas que permitem sustentabilidade ao nível do ambiente e do fornecimento de água, comida e rendimento.
 
Nos projectos de reflorestação desenvolvidos pelo Governo do Níger, os agricultores locais replantaram cerca de 5 milhões de hectares de terra. A cobertura das árvores possibilitou um aumento do rendimento das culturas e melhorou a segurança alimentar para 2,5 milhões de pessoas.
 
Segundo Helen Clark, a Cimeira Rio+20 deve encorajar este tipo de projectos: “Eu quero viver num mundo onde os objectivos a que aspiramos e planeamos não sejam apenas sustentáveis e equitativos, mas transformacionais, universais e capazes de galvanizar a acção individual e colectiva”. 
 
Simon Day - guardian.co.uk, 4ª feira, 18 April 2012 12.12 BST 
  
Traduzido e adaptado para português por César Neto. Artigo original disponível em:
http://www.guardian.co.uk/environment/2012/apr/18/governments-short-term-development-head

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