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a 06 FEV 2012

Aposta na educação para o desenvolvimento

Em audição pública do Parlamento Europeu dedicada à educação para o desenvolvimento (ED) e realizada em agosto de 2011, Andris Piebalgs, comissário europeu para o Desenvolvimento, mencionava Portugal como exemplo de boas práticas, a nível nacional e internacional, pela definição da nossa Estratégia Nacional de Educação para o Desenvolvimento (ENED), tornando reconhecido internacionalmente o resultado de um trabalho de anos.

por AHMED ZAKY, Director do IMVF
 
Já em 2005 o documento "Visão Estratégica para a Cooperação Portuguesa" estabelecia a Educação para o Desenvolvimento como uma prioridade política, afirmando a sua importância e relevância no contexto integral dos princípios e orientações políticas da cooperação portuguesa. No documento podia ler-se ser "fundamental criar conhecimento e sensibilizar a opinião pública portuguesa para as temáticas da cooperação internacional e para a participação ativa na cidadania global". Um passo que daria então lugar, em 2009, à publicação da ENED, por despacho conjunto do Ministério da Educação e do Ministério dos Negócios Estrangeiros, resultado de um processo participativo que envolveu atores da sociedade civil e instituições públicas.
 
Numa altura em que a linha de financiamento de projetos de educação para o desenvolvimento está em fase de avaliação, convém lembrar que o desenvolvimento precisa de cidadãos ativos, envolvidos e empenhados. A ED tem contribuido efetivamente para a promoção do compromisso público e da cidadania, sendo um pilar fundamental nas políticas de desenvolvimento, na legitimação da ação política e das ações dos diferentes atores da cooperação através da informação e envolvimento dos cidadãos. Permite, ainda, um amplo e profundo debate democrático sobre as questões de desenvolvimento e faz da justiça social uma preocupação central de todos.
 
A nível europeu, e depois da condução de uma avaliação, a Comissão Europeia reconheceu a importância da ED e decidiu aumentar o financiamento a projetos de educação para o desenvolvimento, estando neste momento em negociação o montante no quadro das perspetivas financeiras 2014-2020.
 
Dada a importância atribuída ao investimento na educação para o desenvolvimento a nível europeu e o positivo desempenho de Portugal, espera-se pois que as atuais políticas governamentais possam vir a reforçar a aposta estratégica na educação para o desenvolvimento e na concretização da ENED, dando continuidade às fontes de financiamento que permitem às organizações não governamentais para o desenvolvimento portuguesas dinamizar atividades nesta área.
 
É a comunidade educativa e os cidadãos em geral, beneficiários das ações de ED que, em última instância, estão em causa. E se dúvidas existissem sobre a forma como a sociedade civil portuguesa perceciona a ED, a afluência às II Jornadas de Educação para o Desenvolvimento - que se realizaram na Fundação Calouste Gulbenkian - desmistificaram-nas. O evento, subordinado ao tema "A Educação para o Desenvolvimento nas Escolas", contou com casa cheia, mostrando que a área está dinâmica.
 
Fonte: DN - http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=2285903&seccao=Convidados

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