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a 27 JAN 2012

Cardeal Turkson pede imposto sobre operações financeiras (ITF) para o Bem Comum

Na véspera de uma cimeira especial da União Europeia sobre a crise da Zona Euro (30 de Janeiro de 2012), Peter Kodwo Appiah Turkson, presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz, apoiou a adopção de um imposto sobre transacções financeiras, apelando a um sector financeiro que cria riqueza para a sociedade como um todo. O Cardeal Turkson interveio na reunião anual do Conselho de Administração da aliança internacional de agências católicas de desenvolvimento CIDSE, que há muito defende um ITF.

(Soesterberg/Bruxelas, 26 Janeiro de 2012) 
 
"Uma maneira de trazer a economia e finanças de volta à sua vocação primeira, incluindo a sua função social, seria através de medidas de tributação sobre transacções financeiras. Estas devem ser aplicadas com taxas justas, aferidas em proporção com a complexidade das operações, especialmente no caso das desenvolvidas no mercado "secundário", disse o Cardeal Turkson.
 
"O ITF seria muito útil na promoção do desenvolvimento global e sustentabilidade, de acordo com os princípios de justiça social e solidariedade. Também poderia contribuir para a criação de um fundo de reserva mundial para apoiar as economias dos países atingidos pela crise, bem como a recuperação de seus sistemas monetários e financeiros."
 
John Arnold, Bispo Auxiliar de Westminster, e outros nove bispos europeus presentes na reunião CIDSE, também apoiou o imposto, pedindo aos governos cépticos como o Reino Unido para apoiar um ITF como parte de uma vida económica, que coloca a dignidade humana no centro. “Os seres humanos são a fonte e o propósito de toda a actividade económica, temos de reformar os mercados financeiros de modo a que possam servir bem-estar humano e da sociedade."
 
O funcionamento dos mercados financeiros tem se mostrado crucial na redistribuição da riqueza. Tem-se provado que actividades especulativas geram flutuações económicas que têm um impacto desestabilizador sobre a economia. Instabilidade económica, por sua vez, aumenta a desigualdade como tem sido amplamente demonstrado pela actual situação de muitas sociedades europeias.
 
Um ITF contribuiria para reduzir a especulação e estabilizar os mercados financeiros, bem como aumentar as receitas urgentemente necessárias. A CIDSE apela à Cimeira da EU a tomar medidas concretas no sentido da adopção do imposto.
 
Chris Bain, Presidente da CIDSE, referiu que “a adopção de um ITF a nível da UE é a coisa certa a fazer. O ITF tem o potencial de reunir fundos para financiar projectos de desenvolvimento e adaptação/ mitigação das alterações climáticas, pondo em prática medidas para mais justiça e equidade. Não devemos restaurar o crescimento económico a todo custo, recuperando o modelo usual que protege os interesses de poucos. Os cépticos devem perceber que um imposto sobre transacções financeiras pode iniciar um longo caminho para estabilizar os sistemas financeiros, ao mesmo tempo que combatem a pobreza em alguns dos países mais vulneráveis do mundo. "
 
Fonte: FEC

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