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a 22 NOV 2011

Cooperação: Ajuda ao desenvolvimento "pode ser aliada da diplomacia económica"

Lisboa, 21 nov (Lusa) – A deputada social-democrata Mónica Ferro tentou hoje, num seminário em Lisboa, sossegar aqueles que veem na diplomacia económica uma ameaça à ajuda ao desenvolvimento, realçando que esta “pode ser uma aliada” para os negócios de Portugal no estrangeiro.

Em declarações à agência Lusa, à margem do seminário “Saúde e Género”, que decorreu hoje, em Lisboa, organizado pela Plataforma Portuguesa de Organizações Não Governamentais de Desenvolvimento e pela Associação para o Planeamento da Família, a investigadora e parlamentar garantiu que “está muito claro” o papel de cada uma das abordagens na estratégia do Governo para a cooperação, sendo que ambas “têm áreas nas quais se vão sobrepor”.
 
Mas, como “a essência é substancialmente distinta”, não haverá “confusão”, mas sim possíveis “sinergias”, contrapôs.
 
“Há espaço para que ambas coexistam” e “um apelo muito grande para que a diplomacia económica tome a cooperação como (…) um bom cartão de visita que nos permita estar ainda de forma melhor em determinados mercados”, sustentou.
 
“Há países com os quais vamos desenvolver diplomacia económica e [com] que nunca desenvolveremos cooperação e países com os quais temos cooperação e nunca teremos diplomacia económica”, frisou ainda.
 
Sobre a já anunciada fusão do Instituto Camões e do Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD) num só organismo, recordou que “já tinha sido defendida por muitos académicos” e que “é uma tentativa de racionalizar custos” e “potenciar e otimizar os recursos disponíveis”, que faz parte de “uma visão de mais eficiência e mais eficácia”.
 
“Vai haver cortes, de facto”, reconhece. “O que se está a pedir é, de facto, que se faça melhor com os recursos disponíveis”, resume, acrescentando que isso passará por optar por “alguns bons e grandes projetos”, em detrimento da “proliferação” e “fragmentação da cooperação portuguesa, que tem sido uma característica dos últimos anos e que tem merecido algumas críticas” internacionais.
 
A deputada faz um balanço “positivo” da política de cooperação do anterior governo socialista, “assente em princípios muito fortes e valores transversais e fundamentais”, mas sublinha que “tem de se apostar mais na transparência, na monitorização e na eficácia dessa cooperação”, garantindo que estes “são os desígnios” subjacentes “à reforma” que o Executivo PSD-CDS/PP está a fazer.
 
A propósito do tema do seminário em que participou como oradora, Mónica Ferro sublinhou que “o investimento em saúde reprodutiva e em [igualdade de] género é o investimento mais produtivo que se pode fazer no desenvolvimento de um país”. 
 
Fonte: Lusa

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