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a 17 OUT 2011

Uma Década Perdida na Luta Contra a Pobreza

O Social Watch , uma rede de Organizações da Sociedade Civil dedicada à monitorização das políticas sociais em todo o mundo, e representada em Portugal pela Oikos, acaba de lançar a edição mais recente do Índice de Capacidades Básicas (ICB), integrado por indicadores de bem-estar humano que mostra progressos muito lentos nos últimos 20 anos. Este Índice desacredita as avaliações do Banco Mundial segundo as quais a pobreza extrema se teria reduzido para metade entre 1980 e 2005.

«Ao considerar os dados relacionados com o bem-estar e não apenas o rendimento monetário (medido pelo PIB per capita), o ICB revela que toda a primeira década do século XXI foi uma década perdida na luta contra a pobreza, apesar do crescimento das economias desenvolvidas e emergentes», observa João José Fernandes, director executivo da Oikos.
 
A média mundial do rendimento per capita duplicou, passando de 4.079 dólares em 1990 para 9.116 dólares em 2011, mas o ICB apenas aumentou em 10% entre 1990 e 2010, passando de 79,3% para 87,1%.
 
O índice da Social Watch combina a mortalidade de crianças menores de cinco anos – a qual está fortemente ligada à desnutrição –, com a proporção de partos assistidos por pessoal qualificado e dados sobre a educação primária.
 
Os dados disponíveis não permitem ainda avaliar o impacto total da crise financeira e das dívidas soberanas, iniciada em 2008, porque os indicadores sociais são recolhidos e publicados com maior demora do que os económicos. No entanto, organizações integrantes da Social Watch, já constataram nos seus países – como o caso de Portugal – que os sectores mais vulneráveis da população são os que carregam o fardo mais pesado da crise.
 
Antes da crise, o crescimento económico crescia aceleradamente, mas os avanços na educação, saúde e nutrição eram demasiado lentos. Se os países industrializados, nomeadamente da União Europeia, entrarem num período de estagnação ou de recessão prolongada, a situação para os sectores mais desprotegidos da população mundial só poderá piorar. Se Portugal e os parceiros da União Europeia conseguirem – a médio prazo – retomar o caminho do crescimento económico, será necessário ainda assim garantir uma correcta distribuição de riqueza e a criação líquida de emprego em condições dignas.
 
Consulte os dados aqui.
 
Fonte: Oikos

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