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a 01 AGO 2011

ONU alerta: fome na Somália vai agravar até ao fim do ano

A crise alimentar no Corno de África vai continuar até ao final do ano e para a enfrentar é necessário mais dinheiro. Num relatório divulgado ontem, a agência da ONU que coordena a ajuda humanitária, a OCHA, sublinha que na Somália a fome vai piorar e que o envio de alimentos tem que continuar.

“Toda a região Sul vai sucumbir à fome”, diz o documento da OCHA, citada pela Reuters. É feito um apelo ao aumento dos donativos em mais 1400 milhões de dólares porque é preciso custear uma crise humanitária que “vai estar sempre em crescendo nos próximos quatro meses”.
 
Segundo a ONU, nos meses de Agosto e Setembro é provável que faltem alimentos nos campos de refugiados. “As zonas identificadas como de maior risco nos próximos seis meses são o Sul e o Centro da Somália, o Sul e o Leste da Etiópia e os campos de refugiados no Djibuti, Quénia e Etiópia”, diz o documento. Etiópia e Quénia, prossegue a OCHA, deverão começar a sair do alerta vermelho perto do fim do ano. Na Somália — cujo Centro e Sul está debaixo do controlo da al-Shabab, organização islamista ligada à Al-Qaeda — não existe esse momento de recuperação devido aos “elevadíssimos níveis de subnutrição, às péssimas condições para o pastoreio e às colheitas, que estão muito abaixo do considerado normal”.
 
O dramatismo que se vive na Somália — a al-Shabab não permite a entrada de ajuda humanitária nos territórios que controla — tem desviado os olhares dos outros países do Corno de África afectados pela fome. No Quénia, têm-se registado lutas violentas entre tribos fronteiriças (quenianas e somalis) e clãs da mesma tribo pela posse dos poucos recursos. No Nordeste do Quénia, habitado pelos turkana (nómadas pastores que dão nome à sua região), a Reuters dá conta de tiroteios iniciados devido ao roubo (ou tentativa de roubo) do gado ainda vivo.
  
A maior parte dos turkana não usa moeda nem faz troca de produtos, alimentando-se de leite, sangue dos animais e frutos selvagens. “Perdemos muita gente nos últimos meses, muitas crianças e muitos idosos. Não os contamos porque a morte deles é uma vergonha para a nossa comunidade”, disse à Reuters o chefe da comunidade de Naporoto, que recusou dizer o seu nome. 
   
Fonte: Público

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