|
a 21 JUN 2011

Volatilidade dos Preços dos Alimentos: G20 deve ir além da dança do mercado para enfrentar a fome

Medidas para reduzir a volatilidade dos preços nos mercados agrícolas é uma das questões que os Ministros da Agricultura do G20 vão discutir quando se encontrarem nos dias 22 e 23 de Junho, em Paris.

Como a volatilidade dos preços dos alimentos persiste, agora com uma flutuação em torno de um nível duas vezes superior que o nível médio no período de 1990 - 2006, a questão não pode mais ser ignorada. Esta volatilidade, cada vez mais frequente, é o resultado de uma complexa teia de factores com consequências terríveis para os consumidores mais pobres do mundo que gastam 50-70% dos seus rendimentos em alimentos. A aliança internacional de agências de desenvolvimento católicas CIDSE saúda o facto da contenção da volatilidade dos preços ser uma prioridade na agenda do G20, enquanto alerta que a pobreza em geral, e o acesso a alimentos em particular, são questões estruturais que precisam ser abordadas, a fim de reduzir o número de pessoas com fome no mundo.
 
Numa carta aberta aos ministros do G20, a CIDSE diz que, a fim de alcançar a segurança alimentar global, está correcto que o G20 vise impedir a especulação excessiva e regular os mercados de bens de primeira necessidade, bem como abordar a questão das reservas de alimentos. No entanto, a CIDSE argumenta que a regulamentação dos mercados é apenas uma parte do quebra-cabeças e que o G20 deve igualmente apoiar medidas para fortalecer a pequena produção local, apoiando a harmonização das diversas iniciativas de segurança alimentar global em direcção a uma governança multilateral de alimentos dentro da ONU.
 
"A segurança alimentar não pode ser apenas abordada na perspectiva de mercado uma vez que não é devido à falta de produção que quase 1000 milhões de pessoas passam fome. São produzidos globalmente alimentos em quantidade suficiente, mas uma enorme quantidade é desperdiçada após a produção, durante o transporte, processamento ou nas prateleiras dos supermercados", disse Gisele Henriques da CIDSE, perita na área da alimentação, que esteve recentemente em Portugal a convite da FEC (Conferência “Os desafios da Segurança Alimentar: leituras cruzadas das suas causas e consequências”) e que estará presente na reunião do G20 em Paris.
 
"A fome é consequência da pobreza, e não apenas uma questão de oferta, e precisa de ser tratada como tal. O termo volatilidade sugere picos e depressões, mas os preços têm aumentado substancialmente nos últimos anos. Ainda que o preço dos alimentos venha a estabilizar, a expectativa é que estes não fiquem abaixo dos níveis de 2007 e continuem a aumentar nas próximas décadas. Esses aumentos podem ser fatais se a pessoa tiver de gastar a maior parte dos seus rendimentos em comida".
 
Como a agricultura é o pilar de 75% dos pobres do mundo em desenvolvimento, a CIDSE acredita que as políticas alimentares devem fortalecer a produção local por pequenos agricultores, que representam 75% das pessoas com fome do mundo. É extremamente preocupante que a ajuda ao sector agrícola tenha diminuído de 18% da Ajuda Pública ao Desenvolvimento (APD) em 1979 para menos de 4% actualmente. Esta tendência deve ser revertida em favor de políticas agrícolas que desenvolvam e promovam sistemas de produção e meios de subsistência com maior resiliência ambiental, económica e social em face às alterações climáticas e a futuras crises económicas e de preços alimentares.
 
Leia a Carta Aberta aos Ministros da Agricultura do G20. 
  
Fonte: FEC

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>
2019
2018
2017
2016
2015
2014
2013
2012
2011
2010