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a 04 MAI 2011

Plataforma ONGD receia que fim da área de projecto afaste temas da cooperação do ensino público

Lisboa, 03 mai (Lusa) - A plataforma portuguesa das ONGD receia que a eliminação das disciplinas da área escola afaste definitivamente do ensino público a temática do desenvolvimento e da cooperação, reduzindo ainda mais os espaços reservados à educação para a cidadania.

O diretor-executivo da plataforma portuguesa de Organizações Não-Governamentais para o Desenvolvimento (ONGD), Pedro Cruz, disse à Lusa que "há uma proposta de revisão curricular que prevê a extinção da área de projecto, um dos espaços principais onde as questões da cidadania global podiam ser discutidas. Esta eliminação da área escola é preocupante".
 
Pedro Cruz, que falou à Lusa a propósito da iniciativa "Dias do Desenvolvimento", adiantou que a plataforma vai enviar à ministra da Educação, Isabel Alçada, uma carta aberta expondo as preocupações da organização relativamente ao possível fim destes espaços.
 
A plataforma dinamiza ainda no âmbito dos "Dias do Desenvolvimento" a conferência "Educação para a Cidadania Global: Que Espaços?", que vai apresentar vários casos onde o trabalho de organizações desta área teve sucesso nas escolas.
 
Cruz referiu que estes espaços poderão ser substituídos por uma disciplina que tratará algumas destas matérias, mas que para já não é muito claro o que vai acontecer.
 
"Apresentamos nesta carta o que julgamos ser essencial manter dentro do ambiente das escolas. Além da área escola e dos outros espaços que possam existir formalmente, é o interesse dos professores e a sua abertura para tratar estas questões que é importante", ressalvou Pedro Cruz.
 
O responsável da plataforma admite que há espaço dentro de outras disciplinas para os temas do desenvolvimento, da cooperação, das migrações e dos direitos humanos, mas defende que deveriam continuar a existir "espaços mais privilegiados" para tratar estas questões, seja através da sua manutenção na área escola ou da criação de uma nova disciplina.
 
Pedro Cruz considerou que existe na sociedade "uma falta grande de conhecimento" sobre estes temas, o que torna essencial o trabalho realizado com as escolas e os alunos para dar visibilidade à ação das ONGD.
 
A quarta edição dos "Dias do Desenvolvimento", que decorre quinta e sexta-feira em Lisboa é dedicada, entre outros temas, às novas fontes de financiamento e ao voluntariado.
 
O diretor-geral da plataforma lembrou que as ONGD continuam a ter "grandes dificuldades de financiamento", permanecendo muito dependentes dos financiamentos públicos.
 
"A diversificação de fontes de financiamento é um dos nossos objetivos", disse.
 
A Plataforma Portuguesa das Organizações Não-Governamentais para o Desenvolvimento (ONGD) é uma associação privada sem fins lucrativos que representa um grupo de 69 ONGD registadas no Ministério dos Negócios Estrangeiros.
 
CFF.
 
Lusa/Fim



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