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a 04 MAI 2011

Plataforma ONGD quer sensibilizar partidos para evitar cortes financeiros "cegos" na cooperação

Lisboa, 03 mai (Lusa) - A plataforma portuguesa das ONGD quer sensibilizar os partidos políticos para a importância das questões do desenvolvimento para evitar que o atual contexto financeiro de Portugal leve a "cortes cegos" na área da cooperação.

"A nossa preocupação - e já estamos a atuar junto dos partidos políticos - é não deixar que esta seja uma área em que haja cortes cegos. É uma área importante, que pode ser estratégica a nível de política e projeção internacional de Portugal. É essa a mensagem que estamos a transmitir: não deixar que recuemos em alguns avanços feitos nos últimos anos", disse à agência Lusa Pedro Cruz, diretor-geral da plataforma portuguesa de Organizações Não-Governamentais para o Desenvolvimento (ONGD).
 
Pedro Cruz adiantou que a plataforma está a realizar reuniões com os partidos políticos com assento parlamentar, a quem está a entregar um documento com um conjunto de ideias sobre cooperação para o desenvolvimento e a relação do Estado com a sociedade civil, a ter em conta na formulação dos respetivos programas de governo.
 
Cruz falou à agência Lusa a propósito da iniciativa "Dias do Desenvolvimento", que decorre quinta e sexta-feira em Lisboa.
 
O financiamento das ONGD ronda os quatro milhões de euros por ano e o responsável da plataforma sublinha o facto de nos últimos seis anos as verbas disponíveis para a cooperação e para as ONGD não terem baixado.
 
"Não houve o crescimento que julgamos que poderia ter havido em alguns anos, mas na conjuntura atual não podemos falar em crescimento", disse, lembrando que o valor atribuído às ONGD representa entre 2 e 4 por cento do total destinado pelo orçamento de Estado à cooperação para o desenvolvimento.
 
Para Pedro Cruz, além da continuidade dos financiamentos destinados às ONGD, seria igualmente "importante" manter os próprios espaços de divulgação do trabalho destas organizações, dando como exemplos a iniciativa "Dias do Desenvolvimento" e o Fórum da Cooperação.
 
"São espaços essenciais para mostrar ao público o impacto do trabalho" das ONGD, sublinhou.
 
Cruz comentou ainda os dados mais recentes sobre os valores da ajuda pública portuguesa ao desenvolvimento (APD), divulgados no início de abril pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE).
 
Segundo a OCDE, a APD portuguesa registou um crescimento na ordem dos 35 por cento, em grande medida devido a linhas de crédito concedidas pelo Estado português.
 
"É preciso analisar a que se deve essa subida. Estamos a falar de uma confusão que existe entre a promoção, absolutamente legítima e necessária das empresas portuguesas no exterior, com ajuda ao desenvolvimento", disse.
 
"Estas linhas de crédito normalmente são atribuídas com o condicionamento da execução dos projetos por empresas portuguesas, o que desvirtua o objetivo da cooperação para o desenvolvimento, promovendo ao mesmo tempo as empresas. Portanto esta subida é um bocadinho virtual", acrescentou.
 
CFF.
 
Lusa/Fim



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