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a 20 ABR 2011

Cooperação: Ajuda Pública portuguesa aumentou apesar da crise, destaca João Gomes Cravinho

Pequim, 07 abr (Lusa) – O Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação português, João Gomes Cravinho, salientou hoje que Portugal aumentou a Ajuda Pública ao Desenvolvimento (APD) em 2010 apesar da crise e espera aumentar mais quando ultrapassar as “atuais dificuldades”.

“Em termos reais, houve um pequeno aumento na Ajuda Publica ao Desenvolvimento, que tem a ver com a relação que se vai intensificando com os países africanos e com Timor-Leste”, disse João Gomes Cravinho à Agência Lusa em Pequim.
 
“Estamos ainda aquém das ambições assumidas por toda a União Europeia, mas na atual situação económico-financeira, toda a gente compreenderá que não temos condições para ir mais longe”, acrescentou.
 
João Gomes Cravinho comentava os dados sobre a Ajuda Publica ao Desenvolvimento em 2010 divulgados na quarta-feira em Paris pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).
 
No espaço europeu, Portugal foi o país que registou maior aumento na APD (35 por cento), devido sobretudo à abertura de mais linhas de crédito, que mais tarde terão de ser amortizadas.
 
“Seis por cento daquele aumento tem ver, contudo, com a nossa Ajuda Publica ao Desenvolvimento no sentido da expressão”, precisou João Gomes Cravinho.
 
O secretário de Estado português, que iniciou quarta-feira em Pequim dois dias de conversações com responsáveis da diplomacia chinesa, referiu ainda que “outros países europeus em situação difícil, como a Irlanda, Grécia e Espanha, também têm reduzido a sua Ajuda Pública ao Desenvolvimento”.
 
“No futuro, ultrapassadas as atuais dificuldades, esperamos retomar a Ajuda Pública ao Desenvolvimento”, disse João Gomes Cravinho.
 
As estatísticas divulgadas em Paris do pelo Comité de Ajuda ao Desenvolvimento (CAD) da OCDE referem um montante global de 129 mil milhões de dólares (90,1 milhões de euros) em ajuda ao desenvolvimento em 2010, “ou seja, o nível mais elevado jamais atingido em termos reais e uma progressão de 6,5 por cento em relação a 2009”.
 
Este número representa cerca de 0,32 por cento do Produto Interno Bruto combinado dos países membros do CAD.
 
O relatório do CAD da OCDE constatou, no entanto, que “se os números para 2010 testemunham um envolvimento com os países com menos recursos, confirmam também que um certo número de doadores não estão no bom caminho para respeitar os seus objetivos fixados na cimeira (do G8) de Gleneagles”, em 2005, e noutras instâncias.
 
Portugal faz parte do grupo de países europeus membros do CAD que ficou aquém do compromisso de 0,51 por cento do Rendimento Nacional Bruto em APD em 2010.
 
Os números do CAD mostram ainda que os Estados Unidos, o Reino Unido, a França e o Japão foram, em 2010, os maiores contribuintes da APD em termos de volume.
 
Os países da União Europeia que são membros do CAD forneceram um total de 70,2 milhões de dólares (49 milhões de euros), o que representa 54 por cento da APD total entregue pelos doadores abrangidos no comité.
 
AC (PRM).
 
Lusa/Fim

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