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a 14 ABR 2011

1,1 milhões de nados-mortos podiam ser salvos todos os anos no mundo

Quase metade dos 2,6 milhões de nados-mortos registados anualmente em todo o mundo poderiam ser salvos com a aplicação de programas já existentes, revelam os estudos divulgados hoje pela revista The Lancet.

Todos os dias morrem cerca de 7.200 recém-nascidos em todo o mundo. Segundo as primeiras estimativas divulgadas hoje na série The Lancet Natimorto, registaram-se 2,6 milhões de óbitos fetais em 2009.
 
Os investigadores acreditam que a aplicação de alguns procedimentos poderia evitar até 1,1 milhões de natimortos: a existência de cuidados obstétricos de emergência, por exemplo, poderia poupar 696 mil mortes.
 
Já a detecção e tratamento da sífilis seria suficiente para garantir a vida a 136 mil recém-nascidos. Os especialistas estimam ainda que a detecção e tratamento de retardo do crescimento intra-uterino poderia poupar 107 mil vidas e a detecção e tratamento da hipertensão na gravidez seria responsável pela vida de 57 mil.
 
Na lista de medidas a adoptar surge ainda o acompanhamento e informação para as mães com mais de 41 semanas de gestação (que poderia salvar 52 mil nados-mortos), a prevenção da malária, incluindo mosquiteiros e medicamentos (35 mil nados-mortos), a suplementação com ácido fólico antes da concepção (27 mil) e a detecção e tratamento de diabetes durante a gravidez (24 mil).
 
Os investigadores acreditam que reforçar os serviços de planeamento familiar também pode ajudar a minorar este drama, já que iria reduzir o número de gravidezes indesejadas, especialmente entre as mulheres de alto risco.
 
«Se todas as mulheres tivessem acesso a parteira qualificada - e, se necessário, um médico - para receber os cuidados essenciais, iríamos registar um declínio dramático no número de natimortos», defendeu Carole Presern, directora da Parceria para a Saúde Materna, Neonatal e Infantil.
 
Apesar dos elevados números sobre natimortos, esta situação continua a ser «relativamente negligenciada», lê-se no resumo do estudo, que alerta para o facto de este problema «não estar incluído nos Objectivos do Desenvolvimento do Milénio».
 
As estimativas agora divulgadas foram obtidas utilizando um modelo estatístico a partir dos registos de nascimentos e mortes de 79 países, pesquisas em 39 países e estudos de 42 países.
 
Os números são o resultado do trabalho desenvolvido por 69 autores de mais de 50 organizações de 18 países, que culminaram com a publicação de seis artigos científicos, dois trabalhos de pesquisa e oito comentários que constam agora na série The Lancet Natimorto. O trabalho contou com a participação da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Instituto Norueguês de Saúde Pública.
 
Em Setembro do ano passado, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, apresentou a Estratégia Global para a Saúde da Mãe e da Criança para salvar 16 milhões de mulheres e crianças ao longo dos próximos cinco anos.
 
Lusa/SOL

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