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a 02 MAR 2011

Ban Ki-moon apela a uma revolução para garantir o desenvolvimento sustentável

O Secretário-Geral Ban Ki-moon pediu, hoje, "acção revolucionária" para se alcançar o desenvolvimento sustentável, advertindo que o consumo desenfreado de recursos, durante o século passado, representa um "pacto de suicídio mundial" e que já não resta muito tempo para se conseguir um modelo económico que garanta a sobrevivência.

"Permitam-me que destaque o recurso que mais escasseia: o tempo", disse Ban Ki-moon, ao discursar no Fórum Económico Mundial em Davos, na Suíça, numa sessão dedicada à redefinição de desenvolvimento sustentável. "Já nos resta pouco tempo. Tempo para combater as alterações climáticas. Tempo para garantir um crescimento verde, resiliente ao clima e sustentável. Tempo para lançar uma revolução das energias limpas".
 
Dizendo que o desenvolvimento sustentável é a prioridade do crescimento para o século XXI, Ban Ki-moon enumerou uma longa lista de erros no domínio do desenvolvimento, baseados numa falsa crença na abundância infinita dos recursos naturais que impulsionou a economia no século passado.
 
"Minámos o caminho que conduz ao crescimento", declarou. "Queimámos os nossos recursos para alcançar a prosperidade. Acreditámos no consumo sem consequências. Esse tempo já lá vai. No século XXI, os recursos começam a esgotar-se e a temperatura está a subir no termómetro mundial".
 
"As alterações climáticas também nos estão a mostrar que o nosso antigo modelo não é apenas obsoleto. Tornou-se extremamente perigoso. É um modelo que, com o tempo, só pode gerar catástrofes nacionais. É um pacto de suicídio mundial".
 
Tudo isto necessita agora de ser repensado para garantir o desenvolvimento equilibrado que irá arrancar as pessoas da pobreza, protegendo simultaneamente o planeta e os ecossistemas que apoiam o crescimento económico, disse o Secretário-Geral aos Chefes de Estado e de Governo, economistas internacionais, líderes de empresas e da indústria, e representantes da sociedade civil.
 
"Poderá parecer estranho falarmos em revolução aqui em Davos – nesta reunião de pessoas influentes e poderosas, que representam alguns países importantes", disse. "Mas é disso que agora precisamos. Precisamos de uma revolução. De ideias revolucionárias. De medidas revolucionárias. De uma revolução do mercado livre, tendo em vista a sustentabilidade mundial".
 
"É fácil proferir as palavras «desenvolvimento sustentável», mas, para que este se concretize, temos de estar dispostos a efectuar mudanças substanciais – nos nossos estilos de vida, nos nossos modelos económicos, na nossa organização social e na nossa vida política. Temos de estabelecer a ligação entre as alterações climáticas e a água, a energia e os alimentos", afirmou.
 
"Necessitamos do vosso empenhamento. Impulsionem a inovação. Liderem através da acção. Invistam na eficiência energética e nas energias renováveis para bem daqueles que mais necessitam delas – os vossos futuros clientes. Alarguem o acesso às energias limpas aos países em desenvolvimento – os vossos mercados de amanhã".
 
O Secretário-Geral apelou aos líderes empresariais presentes, para que adiram ao Pacto Global das Nações Unidas, estabelecido há 11 anos, a maior iniciativa mundial no domínio da responsabilidade social das empresas, nos termos do qual as empresas devem assumir o compromisso de alinhar as suas operações e estratégias pelos dez princípios universalmente aceites nas áreas dos direitos humanos, trabalho, ambiente e luta contra a corrupção.
 
Pediu igualmente aos governos representados em Davos e do mundo inteiro para enviarem os sinais certos, tendo em vista a construção da economia verde. "Juntos, derrubemos os muros", declarou. "Os muros entre as prioridades do desenvolvimento e as prioridades do clima. Entre as empresas, os governos e a sociedade civil. Entre a segurança mundial e a sustentabilidade mundial. É uma boa estratégia económica – uma boa estratégia política – e bom para a sociedade".
 
"Curiosamente, aquilo de que estamos a falar é de voltar ao futuro. Os antigos não estavam separados do mundo natural. Sabiam viver em harmonia com o mundo à sua volta. É tempo de recuperarmos esse sentido de viver em harmonia para bem das nossas economias e das nossas sociedades".
 
"Não para voltarmos a um passado imaginário, mas para saltarmos confiantemente para um futuro com tecnologias avançadas, o melhor que a ciência e o empreendedorismo têm para oferecer, a fim de construirmos um mundo mais seguro, mais limpo, mais verde e mais próspero para todos. Não há tempo a perder".
 
Num evento separado, Ban Ki-moon lançou uma nova iniciativa do Pacto Mundial, a Iniciativa LEAD, que conta com 54 empresas mundiais como membros fundadores. Estes comprometeram-se a estar na vanguarda das questões ambientais, sociais e de governação, unindo-se para traduzir os princípios do desenvolvimento sustentável em operações empresariais e aprofundando parcerias com todo o sistema das Nações Unidas.
 
"Quando empresas como as vossas integram mais profundamente as questões de sustentabilidade nas suas operações e nas suas estratégias, ano após ano, estais a enviar um sinal poderoso. Na verdade, estais a mudar o mundo", disse Ban Ki-moon aos líderes empresariais. "Neste século, mais do que no anterior, é preciso que as empresas realizem os objectivos fundamentais das Nações Unidas".
 
"É por esta razão que a Iniciativa LEAD e o Plano para a Sustentabilidade Empresarial são tão importantes. Trabalhando juntos ao nível estratégico e também em parcerias concretas, poderemos potenciar os nossos respectivos pontos fortes e procurar resolver alguns dos problemas mais difíceis do nosso tempo".
 
Falando numa conferência de imprensa, Ban Ki-moon observou que dedicara grande parte do tempo que estivera em Davos à dinamização de esforços no sentido de combater as alterações climáticas e salientou que o acordo entre todos os países é não só necessário mas também possível. "Poderá não ser fácil, mas aquilo que vale a pena fazer raramente o é", acrescentou.
 
As conferências apoiadas pelas Nações Unidas que tiveram lugar em Copenhaga, na Dinamarca, e em Cancun, no México, nos últimos treze meses permitiram superar algumas divergências e conduziram a promessas de ajudar os países em desenvolvimento a atenuarem os efeitos das alterações climáticas e a acções para combater a desflorestação, que é responsável por quase um quinto das emissões de gases com efeito de estufa.
 
Mas as duas principais componentes de um acordo destinado a limitar o aumento da temperatura média mundial a 2ºC em relação aos níveis pré-industriais ainda não foram resolvidas.
 
Fonte: Centro Regional de Informação das Nações Unidas (Baseado numa notícia divulgada pelo Centro de Notícias da ONU a 28/01/2011)

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