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a 14 OUT 2010

Crise trava doações para sida e atrasa acesso ao tratamento

Também no campo do combate à sida não serão cumpridos os Objectivos do Milénio, constata a Onusida, agência das Nações Unidas para a doença. A cobertura medicamentosa teve progressos, mas ainda não será universal, como prometido, até final de 2010.

O acesso universal a prevenção, medicamentos e cuidados para a sida, na definição acordada para os Objectivos do Milénio, significaria uma cobertura de 80% da população que sofre da doença.
  
Ainda assim, esse alvo para o final deste ano está comprometido, adiantou já a Onusida, que ontem, terça-feira, divulgou um relatório em parceria com o fundo das Nações Unidas para a infância (UNICEF).
    
Desde o começo da crise financeira, em 2008, os doadores foram reduzindo ou cessando apoios. Resultado: faltam cerca de oito mil milhões de euros. Ainda assim, 38 países de baixo e médio rendimento alcançaram no ano passado melhorias expressivas, sobretudo no que toca aos cuidados a mulheres grávidas seropositivas, aos tratamentos a crianças ou ao acesso de adultos a anti-retrovirais.
    
“Se começarmos o tratamento mais cedo e melhorarmos a adesão do doente no primeiro ano conseguiremos salvar muitas mais vidas”, comenta Gottfried Hirschall, director da Organização Mundial de Saúde para o VIH/Sida. A nível mundial, a cobertura em cuidados e fármacos tem subido, mas as taxas relativas a 2009 estão longe do desejável. Apenas 53% das mulheres grávidas seropositivas acederam a cuidados, estes só foram dispensados a 28% das crianças infectadas e apenas 28% dos adultos com VIH recebiam anti-retrovirais.
   
“Muitos milhões de pessoas estão hoje vivas graças ao investimento na doença feito nos últimos anos”, dizem os autores do relatório da Onusida.
Esta convicção é secundada por cientistas dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos. Eles garantem num estudo também ontem, terça-feira, divulgado que os doentes com VIH que começam a terapia com anti-retrovirais pouco tempo depois de terem sido infectados pelo vírus adquirem maiores resistências a outros agentes infecciosos do que os doentes que começam a toma de fármacos mais tarde.
    
Os fármacos restauram a memória de celúlas B, que têm a função de formar anticorpos contra um qualquer agente infeccioso, afirmam os cientistas.
De acordo com o relatório da Onusida, nos países de baixo e médio rendimento havia no ano passado 5,25 milhões de doentes a receber tratamento anti-retroviral. Esse número representou um aumento de 1,2 milhões face ao ano anterior, mas está longe do satisfatório, admitem as agências das Nações Unidas. A nível mundial, e contando com os países desenvolvidos, 33,4 milhões de pessoas têm sida.
   
O relatório da Onusida foi divulgado na ocasião em que se reúne em Atlanta, EUA, a Conferência da Vacina da Sida 2010. Ali são discutidos os avanços feitos para o desenho de uma vacina contra o vírus da imunodeficiência humana. 
  
Fonte: Jornal de Notícias

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