|
a 23 SET 2010

"Ajuda é dependência, não é desenvolvimento"

"Nós medimos durante demasiado tempo os nossos esforços pelos dólares que gastamos na comida e nos medicamentos que damos. A ajuda só por si é dependência, não é desenvolvimento", disse ontem Barack Obama na ONU, num discurso que fez no encerramento da cimeira dedicada ao balanço dos Objectivos do Milénio.

O Chefe do Estado americano, cuja declaração foi das poucas a receber aplausos na sala de reunião da Assembleia Geral, instou a comunidade internacional a fazer melhor nesta área, enterrou a ideia de ajuda como caridade e anunciou uma nova política americana, que consiste noutras ferramentas como a diplomacia, o comércio e os investimentos para apoiar os países em desenvolvimento.
   
Várias horas antes de Obama, o secretário-geral da ONU anunciara um programa na ordem dos 40 mil milhões de dólares, ou seja, 30,5 mil milhões de euros, dedicados à saúde materno-infantil. Ban Ki-moon estimou que esse valor permitirá salvar 16 milhões de vidas até ao ano de 2015, a meta para o cumprimento dos objectivos.

Na lista das oito metas a atingir estão, por exemplo, a redução em 75% da mortalidade materna ou o aumento da ajuda pública ao desenvolvimento até 0,7% do PIB. A de Portugal foi, em 2009, de 0,23%. No balanço feito em Nova Iorque, líderes mundiais admitiram que muitos dos compromissos não foram cumpridos, mas desculparam-se com a crise. Esta foi uma das explicações avançadas, à Lusa, pelo ministro dos Negócios Estrangeiros português, Luís Amado.

Entre as propostas que foram sendo apresentadas pelos líderes nesta cimeira de dois dias, o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, defendeu a criação de uma taxa sobre as transacções financeiras, para financiar projectos na área dos Objectivos do Milénio.

O discurso que ontem fez Obama foi o primeiro de vários do líder norte-americano na ONU, onde hoje volta a falar na fase de debate da Assembleia Geral. E onde amanhã participa numa reunião sobre o referendo à autodeterminação do Sul do Sudão, que está marcado para 9 de Janeiro de 2011.

140 líderes mundiais, entre os quais o primeiro-ministro português, José Sócrates, que tem o discurso marcado para sábado, vão participar nesta fase da 65.ª Assembleia Geral da ONU. Este evento anual é sempre ocasião para reuniões e contactos bilaterais. Sócrates, por exemplo, espera reunir mais apoios para a candidatura portuguesa a um lugar não permanente no Conselho de Segurança para o biénio 2011/2012. Angola já manifestou publicamente o seu inteiro apoio.

No discurso de hoje, Obama vai defender o balanço dos seus 20 meses de política externa e, em clima de campanha para as eleições intercalares norte-americanas do dia 2 de Novembro, sublinhar os esforços feitos pelos EUA para relançar a economia mundial. Isto, depois de a sua Administração ter perdido, em dois dias, dois colaboradores para a área da Economia: o primeiro conselheiro económico Lawrence Summer e o subsecretário adjunto do Tesouro Herbert Allison.

O Chefe do Estado americano deverá defender uma aproximação negocial ao Irão, por causa do seu programa nuclear. Esta abordagem já foi ontem defendida pelos representantes do chamado grupo de negociadores dos Seis - China, EUA, França, Reino Unido, Rússia e Alemanha. Três meses depois de terem imposto um novo pacote de sanções ao Irão, eis mais uma tentativa de resolução do problema pela via negocial. Falta saber qual a resposta do Presidente do Irão, Mahmud Ahmadinejad, que na terça-feira falou aos jornalistas na hipótese de uma "guerra ilimitada com os EUA".


Fonte: Diário de Notícias

 

 

 



>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>
2019
2018
2017
2016
2015
2014
2013
2012
2011
2010