|
a 23 SET 2010

Execução dos Objectivos do Milénio assumidos em 2000 refém da crise global

O cumprimento dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), assumidos em 2000 e que deveriam ser atingidos até 2015, está aquém do esperado e refém da crise global, segundo o balanço que desde segunda-feira ocupa os líderes mundiais na ONU.

Em causa estão as oito metas fixadas em 2000, na Cimeira do Milénio da ONU, tendo em vista a redução da pobreza extrema e da fome, melhoria da saúde e educação, reforço do papel das mulheres e sustentabilidade ambiental.
   
Embora reconhecendo que os ODM "continuam a ser metas mobilizadoras da comunidade internacional", nas palavras do chefe da diplomacia portuguesa, Luís Amado, a crise económica global é a razão que os cerca de 140 chefes de Estado e de Governo, que entre segunda feira e hoje intervieram na cimeira, invocam para justificar o incumprimento.
   
Uma das formas de recuperar do atraso que se acumula passa pela adaptação da ajuda internacional às mudanças registadas desde 2000, sugeriu o governante português, dando como exemplo a "mobilização internacional" na sequência da intervenção feita segunda-feira pelo presidente francês.
   
Nicolas Sarkozy defendeu a aplicação "imediata" de taxas sobre as transacções financeiras, como uma forma de financiar projectos relacionados com os ODM.
     
"O financiamento do desenvolvimento é uma questão que deve ser assumida por todos os estados membros", acentuou o chefe da diplomacia portuguesa.
Mas se a crise económica à escala mundial ajuda a explicar os atrasos na execução dos ODM - variáveis consoante os países considerados -, para a chanceler alemã Angela Merkel, a segurança e a boa governação são questões incontornáveis.
     
Na sua intervenção, depois de recordar que a ajuda ao desenvolvimento "não pode continuar indeterminadamente", Merkel sublinhou a importância de se definirem "claramente as prioridades e aplicar da melhor maneira os recursos existentes através da boa governação".
   
"Os ODM não são um menu, do qual se pode escolher aquilo de que mais gostamos: as políticas de ajuda ao desenvolvimento não podem ter sucesso sem a garantia da segurança", reiterou Merkel, salientando que "um desenvolvimento e progresso económico sustentáveis são inconcebíveis sem o respeito pela boa governação".
    
Sintetizando as posições já referenciadas, o rei de Marrocos, Muhammad VI, considerou no seu discurso que a realização dos ODM requer um compromisso firme, uma parceria mundial e um calendário preciso.
  
Quanto a novidades nesta cimeira, coube ao primeiro ministro do Butão, Jigme Thinley, advogar que a felicidade venha a ser considerada pela comunidade internacional como nono ODM.
   
No Butão, país situado nos Himalaias, o desafio económico não é avaliado através do crescimento do Produto Nacional Bruto (PIB), mas sim através do crescimento do Produto Nacional de Felicidade (GNH, na sua sigla em inglês).

Todavia, o discurso mais optimista dos três dias de trabalhos coube ao anfitrião, o secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, que na sessão de abertura disse que apesar dos reveses provocados pela crise económica e financeira internacional, os OMD ainda "são realizáveis". 
  
"O relógio está a correr e ainda há muito a fazer. Temos de enviar uma poderosa mensagem de esperança" e cumprir "a nossa promessa", destacou.
Ao longo dos próximos cinco anos se saberá se as palavras de Ban Ki-moon foram a parte que se pode prever do esforço que a comunidade internacional tem ainda de fazer, ou se representam o canto do cisne de um mundo em que os pobres continuarão pobres e os desequilíbrios na distribuição da riqueza permanecerão como um sinal do desenvolvimento.
 
Fonte: SIC Notícias

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>
2019
2018
2017
2016
2015
2014
2013
2012
2011
2010