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a 22 SET 2010

Médias nacionais escamoteiam disparidades entre ricos e pobres de um mesmo país

As médias nacionais que revelam a progressão dos países nos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio escamoteiam "algumas disparidades entre os mais ricos e os mais pobres", sustenta a directora executiva da Unicef Portugal.

Em entrevista à agência Lusa, Madalena Marçal Grilo deu um exemplo incluído no mais recente relatório sobre os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), publicado a 07 de Setembro: de 26 países onde as taxas de mortalidade infantil "desceram 10 por cento ou mais desde 1990", em 18 "o fosso entre as taxas de mortalidade das crianças dos 25 por cento mais ricos e dos 25 por cento mais pobres cresceu ou não se alterou", sendo que em 10 deles esse aumento chegou pelo menos aos dez por cento.
    
O relatório especial da Unicef defende, por isso, uma abordagem baseada na "equidade", insistindo na "necessidade" e nas "vantagens" de centrar "os investimentos nos mais desprotegidos, nos mais carenciados", nos "mais esquecidos", naqueles "que normalmente não contam", explicou Madalena Marçal Grilo.
      
O fosso que está a ser ocultado pelas médias nacionais verifica-se "mesmo nos países de médio e baixo rendimento", sublinha a responsável, o que prova que os progressos obtidos nos ODM não estão a atingir "igualmente todos" e que "os mais pobres continuam a ficar de fora".
    
Assinalando os "progressos muito importantes" desde que as oito metas do milénio foram fixadas, em 2000, Madalena Marçal Grilo refere, porém, uma "disparidade de acesso aos bens e serviços entre os que têm mais e os que têm menos".
   
E explicita: "A verdade é que a par destes progressos há, nalguns casos, situações em que as coisas não melhoraram, antes pelo contrário."
   
A directora executiva da Unicef Portugal deixa ainda um exemplo, sobre o acesso ao ensino, onde a paridade aumentou.
    
"Mas também não nos podemos esquecer que as raparigas continuam em desvantagem, na medida em que muitas vezes são obrigadas a abandonar a escola", devido a casamentos ou gravidezes precoces.

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