|
a 22 SET 2010

A intolerável persistência da pobreza que mata

O Presidente Sarkozy, do alto da tribuna da ONU, propôs que se generalizasse uma taxa sobre as transacções financeiras em todo o mundo para financiar a erradicação da pobreza extrema no nosso planeta e dar um novo impulso à concretização dos dez Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM).

Os objectivos foram traçados em 2000 para serem atingidos em 2015. Passados dois terços do tempo, os resultados alcançados são medíocres, embora muito diferenciados, de continente para continente e de país para país. Mas o Presidente da França pôs o dedo numa dolorosa ferida, ao considerar que a consciência colectiva da humanidade já não consegue tolerar que, anualmente, ainda haja 925 milhões de homens e mulheres sob a ameaça da fome e que oito milhões de crianças morram por causas inteiramente evitáveis com os cuidados de saúde ministrados aos recém-nascidos nos países mais avançados.
      
É certo que, quando começou esta caminhada, a fome atingia globalmente 1200 milhões de seres humanos e a morte batia à porta de 12 milhões de bebés. Houve progressos no acesso à água potável, no combate às três doenças que mais matam (VIH/sida, malária, tuberculose), na escolaridade das meninas. Mas não chega. Sobretudo quando o mundo assiste, atónito, à retracção da ajuda pública ao desenvolvimento por parte dos países desenvolvidos por causa da profunda crise económica e financeira, que se abateu sobre eles.
        
Vai-se cimentando a consciência global de que é preciso acelerar a concretização dos ODM, sobretudo em África, e que isso é tarefa urgente de toda a humanidade. É nesse contexto que vale a pena considerar a proposta de Nicolas Sarkozy.
      
Fonte: Diário de Notícias

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>
2019
2018
2017
2016
2015
2014
2013
2012
2011
2010