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porPlataforma ONGD
fontePlataforma ONGD
a 19 JAN 2018

À Conversa com Susana Réfega, Presidente da Direcção da Plataforma

Susana Réfega é a nova Presidente da Direcção da Plataforma Portuguesa das ONGD. Mestre em Desenvolvimento, Cooperação e Ajuda Humanitária pela Sorbonne, Susana acumula uma vasta experiência no sector, ocupando há nove anos a posição de Diretora Executiva na FEC.  

 

1. Como é que entende a missão da Plataforma e de que forma pretende a nova Direcção contribuir para a mesma?

A missão da Plataforma Portuguesa das ONGDs foi definida pelo conjunto das organizações que a constituem, e consiste em melhorar e potenciar o trabalho das suas associadas a nível institucional, político, legislativo, financeiro e social. Um aspecto central da missão da Plataforma é também promover uma cultura de partilha e parceria entre as suas associadas apostando na excelência e nas práticas das ONGD Portuguesas que trabalham nas áreas da Cooperação para o Desenvolvimento, da Educação para o Desenvolvimento e Cidadania Global, e da Ajuda Humanitária e de Emergência.

Diria que é uma missão que nasce da vontade e das aspirações de organizações que trabalham para um mundo mais justo e equitativo: como tal, é uma missão ambiciosa e que nos obriga a fazer sempre mais e melhor!

A nova equipa que agora assume a Direcção - constituída por 7 ONGDs com competências e experiências muito diversificadas -, alicerçou o seu programa no Plano Estratégico da Plataforma que está actualmente vigor e que visa dar corpo e concretizar a sua missão. Consideramos que os eixos identificados são muito pertinentes e por isso queremos: apostar na coesão interna através de uma maior cultura de partilha e aprendizagem entre as associadas; reforçar o nosso papel no âmbito de advocacia pela coerência das políticas de desenvolvimento; e promover a sustentabilidade organizacional das nossas associadas.

Sabemos que temos pela frente um programa exigente, mas iniciamos funções com energia e vontade de trabalhar e temos o privilégio de contar também com uma equipa profissional e comprometida no secretariado da Plataforma!

2. Quais considera serem as principais prioridades para afirmação da Plataforma enquanto interlocutor privilegiado do sector nos próximos três anos?

Considero que somos, já hoje na sociedade Portuguesa, um interlocutor não só de referência mas também com muita credibilidade no sector. A Plataforma tem mais de 20 anos de experiência e é uma das mais antigas redes da sociedade civil em Portugal. Conta com mais de 60 associadas   espalhadas por todo o país, que juntas têm uma experiência acumulada muito significativa, e que importa continuar dar a conhecer.

A título de exemplo, no sector da Cooperação para o Desenvolvimento, a Plataforma reúne várias organizações que têm nessa área o seu principal sector de atividade. Esse dado é muito relevante quando defendemos posições ancoradas no conhecimento profundo do contexto dos países onde trabalhamos, fundamentado no diálogo com parceiros locais e com base em muitos anos de experiência em projectos de desenvolvimento. E o mesmo se poderia dizer para o trabalho que fazemos em Portugal no âmbito da Educação para o Desenvolvimento e Cidadania Global.

Penso que, para continuarmos a ser este interlocutor de referência e consolidarmos ainda mais o nosso papel, é fundamental não termos receio de divulgar o que já estamos a fazer e fazemos bem. É importante que a sociedade portuguesa e os nossos interlocutores públicos conheçam de facto, de forma mais aprofundada, aquilo que fazemos e que tem um impacto real e positivo na vida de tantas pessoas.

Mas considero também que será cada vez mais importante podermos fundamentar a nossas posições com base não apenas na nossa experiência, como já referi, mas também com base em evidências, análise e dados. Considero que a nossa advocacia junto de decisores políticos, sociais e económicos, com o propósito de construir um mundo mais justo, terá mais impacto se assentar em dois alicerces: evidências e capacidade de diálogo. As ONGDs estão muitas vezes presentes em locais onde outros organismos não conseguem chegar e por isso podemos trazer para a mesa dos decisores dados e evidência, diria quase em jeito de provocação, que muitos relatórios internacionais não estão mostrar e a trazer para o debate.

3. Quais considera serem os maiores desafios enfrentados pelas associadas da Plataforma? De que forma entende o papel da Plataforma neste âmbito?

Um dos maiores desafios que as associadas enfrentam é a questão da sustentabilidade organizacional. Para além do sonho, do compromisso e da responsabilidade, o nosso trabalho exige também recursos e competências especializadas, e muitas vezes não é nada fácil mobilizar recursos e competências para o setor não lucrativo! As associadas da Plataforma querem chegar mais longe, fazer mais e melhor, mas muitas vezes debatem-se com esta inquietação… onde encontrar recursos para promover a transformação social?

Daí uma das prioridades - quer do Plano Estratégico da Plataforma, quer do Programa da actual Direcção - ser a promoção da sustentabilidade organizacional das associadas. Esta prioridade passa por programas de formação e reforço institucional para as associadas e os seus colaboradores; identificação de novas formas de financiamento e de angariação de fundos; e identificação de novas parcerias incluindo uma análise de possibilidades de colaboração com o sector privado.

Esta prioridade passa naturalmente também pela continuação e aprofundamento do diálogo institucional com o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua – que tem sido um importante parceiro da Plataforma e das suas associadas quer no âmbito da Cooperação para o Desenvolvimento, quer no âmbito da Educação para o Desenvolvimento e Cidadania Global.
 

4. Quais são as suas prioridades enquanto Presidente da Direcção?

Quando reflectimos sobre o mandato para os próximos 3 anos, definimos prioridades a médio prazo, mas olhámos também já para este ano de 2018. Enquanto equipa na Direcção, estamos precisamente neste início de funções a definir pelouros e responsabilidades para podermos ser mais eficazes e potenciar melhor o que cada membro da Direcção pode trazer como capital de experiência para a Plataforma. A um nível mais pessoal, enquanto Presidente da Direcção, durante os primeiros meses a minha prioridade é sobretudo conhecer de forma mais profunda os Grupos de Trabalho que desenvolvem já um papel central na dinâmica da Plataforma, reforçar a articulação entre a Direcção e a equipa do secretariado, e conhecer mais a fundo os vários dossiers que a Plataforma tem atualmente em curso. Poderá primeira vista não parecer uma prioridade, mas acredito que este tempo de conhecimento das pessoas e dos assuntos é fundamental…

No que diz respeito a prioridades a médio-longo prazo, sabemos que nas redes é sempre um grande desafio conjugar em simultâneo a diversidade e a coesão. Assim, uma das nossas prioridades é promover espaços e mecanismos diversificados para um maior conhecimento e colaboração entre as associadas, passando também por um mapeamento das competências, potencialidades e necessidades das associadas que permita valorizar os muitos recursos internos de que já dispomos e procurar soluções para os problemas comuns existentes.

A Agenda 2030, através dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, reforça que o desenvolvimento requer uma abordagem integrada em todos os países e que “não podemos deixar ninguém para trás”. Na Plataforma acreditamos, como refere a nossa Visão, que uma sociedade civil organizada, plural, independente e coesa é determinante para construirmos um mundo justo. É com este propósito que vamos trabalhar!
 

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