|
porUNICEF
fonteUNICEF
a 23 OUT 2017

Mantendo-se a taxa de redução actual, serão necessários 100 anos para pôr fim ao casamento precoce na África Central e Ocidental

A menos que o progresso seja verdadeiramente acelerado, serão precisos mais de 100 anos para pôr fim ao casamento precoce na África Central e Ocidental. As consequências afectarão a vida de milhões de raparigas em vários aspectos e debilitarão a prosperidade da região, afirmou a UNICEF hoje.

Um novo relatório da organização, Achieving a future without child marriage: Focus on West and Central Africa (Alcançar um futuro sem casamento precoce: Enfoque na África Central e Ocidental) revela que, como resultado do rápido crescimento populacional e da elevada prevalência desta prática, mesmo que as actuais taxas de declínio de casamento precoce duplicassem, tal não seria suficiente para reduzir a taxa de raparigas que casam todos os anos.

“Temos de agir urgentemente,” afirmou Fatoumata Ndiaye, Directora Adjunta da UNICEF. “Não podemos continuar a deixar que tantas raparigas fiquem com a sua saúde prejudicada e percam a sua educação e infância. Mantendo-se as taxas actuais, serão precisos mais de 100 anos para eliminar a prática do casamento precoce nesta região – como pode isto ser aceitável?”

As novas projecções, lançadas durante um encontro de alto-nível sobre o fim do casamento precoce em Dakar esta semana, têm como objectivo chamar a atenção para uma região onde as probabilidades das raparigas casarem na infância são maiores.

Apesar da prevalência do casamento precoce ter diminuído na África Central e Ocidental ao longo das últimas duas décadas, os progressos não foram uniformes. Quatro em cada 10 raparigas casam antes dos 18 anos e, destas, uma em cada três fazem-no antes dos 15 anos.

Seis dos 10 países com a mais elevada prevalência de casamento precoce do mundo estão localizados na África Central e Ocidental: Níger, República Centro-Africana, Chade, Mali, Burkina Faso e Guiné.

O relatório também destaca que é possível fazer progressos – mesmo em países de elevada prevalência – quando é posto em prática o conjunto certo de medidas, tais como capacitar as raparigas, mobilizar as famílias e comunidades para a mudança de atitudes e de comportamentos, proporcionar serviços adequados para raparigas em risco e raparigas casadas; assim como a aplicação de leis e políticas consistentes destinadas a proteger e promover os direitos das raparigas.

Cinco países na região – Gâmbia, Guiné Bissau, Togo, Gana e Ruanda – destacam-se pelo declínio da prática entre 40 a 60 por cento ao longo dos últimos 25 anos.

Manter as raparigas na escola durante o maior tempo possível é uma das melhores estratégias para atrasar o casamento precoce porque as raparigas instruídas são capazes de desenvolver competências, conhecimentos e a confiança de que precisam para tomar decisões sobre as suas escolhas de vida. Quanto mais tempo uma rapariga permanecer na escola, menor é a probabilidade de se casar antes dos 18 anos e de ter filhos durante a adolescência.

“Levar as raparigas para a escola deveria ser a nossa principal prioridade,” afirmou Fatoumata Ndiaye. “Não apenas porque as capacita para a vida, mas porque também ajuda a retirar as suas famílias, as suas comunidades e os seus países da pobreza.”

O casamento precoce ou a união de crianças antes dos 18 anos de idade é uma prática nefasta que viola os direitos das crianças. As raparigas que casam precocemente têm menos probabilidades de completar a escolarização, e têm muito mais probabilidades de serem vítimas de violência e de serem infectadas com VIH. Quando as crianças casam, as suas probabilidades de terem uma vida saudável e bem-sucedida diminuem drasticamente, desencadeando muitas vezes um ciclo inter-geracional de pobreza. Além disso, estas raparigas não têm na maioria dos casos as competências necessárias para terem um emprego.

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>
2019
2018
2017
2016
2015
2014
2013
2012
2011
2010