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a 13 SET 2010

Estado atual dos ODM

Cimeira das Nações Unidas

A Fundação Evangelização e Culturas (FEC) quer desafiar as comunidades paroquiais e diocesanas a acompanhar a Cimeira das Nações Unidas que junta os líderes políticos em Nova Iorque, entre 20 e 22 de Setembro, para avaliar os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) e traçar caminhos para os próximos cinco anos.
 
Os oito ODM foram assumidos em 2000 e têm como meta o combate à exclusão social e à pobreza no mundo, em áreas como o ensino universal, a saúde, a igualdade de género, ambiente e desenvolvimento de parcerias globais.
 
A cinco anos de atingir a meta, que termina em 2015, e apesar dos esforços desenvolvidos nos últimos anos, os ODM estão longe ainda de ser atingidos.
 
Em parceria com a CIDSE (plataforma de 16 ONG católicas para o Desenvolvimento da Europa e América do Norte da qual faz parte), a FEC quer lançar algumas recomendações aos líderes políticos e propor às comunidades que se unam numa rede de oração.
 
Desta forma a FEC propõe um guião como base para a celebração de uma missa, antecipando a Cimeira em Nova Iorque (a 18 ou 19 de Setembro), onde as comunidades paroquiais possam reflectir “nos princípios da igualdade e da fraternidade”, assim como “na finalidade dos bens que são confiados e que são úteis apenas na medida que favorecem a construção da fraternidade”.
 
O guião propõe uma reflexão das leituras do XXV Domingo do Tempo Comum, um guião para a oração dosa fiéis e algumas acções simbólicas. De forma a garantir a “abertura, diálogo e união em torno de causas comuns”, a FEC sugere o envolvimento de entidades civis na organização de acções nas comunidades locais,
 
A FEC sugere ainda o empenho na sensibilização para os ODM, nomeadamente através da participação nos dia 17 a 19 de Setembro, na acção «Levanta-te e faz-te ouvir contra a pobreza!», geralmente realizada a 17 de Outubro, mas este ano antecipada para os dias devido à realização da Cimeira de revisão dos ODM.
 
Apesar de alguns progressos em áreas-chave do desenvolvimento, dez anos após a sua aprovação, o impacto dos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) sobre as causas estruturais da pobreza tem sido limitado ou inexistente. Num relatório - Meta 2015 - Cinco anos para construir uma parceria efectiva para o desenvolvimento - lançado antes da cimeira da ONU em Nova Iorque, onde o progresso dos ODM será avaliado, a CIDSE diz que isso é fruto de uma ambição inadequada, da falta de uma abordagem de direitos humanos, e de uma ênfase dada aos resultados em detrimento dos processos.
 
Segundo a rede internacional de agências de desenvolvimento católicas, uma parceria win-win para o desenvolvimento só é possível se as políticas de combate à pobreza forem decididas com transparência e em diálogo com os atores que são cruciais para as pôr em prática.
 
O fracasso dos doadores em cumprirem os seus compromissos financeiros ao longo dos anos tem prejudicado seriamente o progresso dos ODM. Os governos precisam de elaborar compromissos com prazos claros, pelos quais possam vir a ser responsabilizados, uma vez que os doadores do Norte não canalizaram o dinheiro que tinham prometido para o desenvolvimento. No seu Relatório de Cooperação para o Desenvolvimento de 2010, a OCDE alertou que o valor total da ajuda ao desenvolvimento em 2010 ficará aquém, em mais de 13 mil milhões de euros, dos compromissos assumidos em 2005.
 
No entanto, o capital que flui de forma ilícita do Sul para o Norte excede grandemente o apoio dos países ricos aos países em desenvolvimento.
 
“Os governos precisam de entender que o aumento dos recursos financeiros nos países em desenvolvimento é igualmente importante”, diz Markus Brun, da organização suíça Fastenopfer. “Enquanto as fugas não forem estancadas, África continuará a perder mais de 1 trilião de euros por ano em receitas fiscais perdidas ou não reclamados".
 
As alterações climáticas e as crises alimentar e financeira inverteram tendências positivas na redução da pobreza e no combate à fome. Os governos que vão reunir em Nova Iorque devem reconhecer que as políticas não podem ser pensadas isoladamente e que as suas ações em todas as áreas têm influência no desenvolvimento.
 
A crise no preço dos alimentos de 2008, que fez aumentar o número de pessoas famintas no mundo para mais de 1 bilhão, teve origem nas políticas económicas, comerciais e agrícolas propagadas pelos doadores, que afectaram a agricultura de pequena escala nos países em desenvolvimento, e foi agravada pela especulação irresponsável nos mercados de alimentos.
 
"Aumentos substanciais e sustentados do investimentos na agricultura sustentável de pequena escala nos países em desenvolvimento, tanto por governos do Norte como pelos do sul, são essenciais para defender o direito à alimentação dos famintos no mundo", diz René Grotenhuis, presidente da CIDSE e diretor da organização holandesa Cordaid. "É essencial reforçar a posição dos pequenos agricultores nos mercados locais, nacionais e internacionais."
 
As comunidades pobres dos países em desenvolvimento são também as primeiras a ser atingidas, e mais profundamente, por um clima cada vez mais imprevisível e por catástrofes mais frequentes e intensas – vítimas do falhanço colectivo continuado de todos os nossos governos em alcançar um acordo de ação ambicioso para combater as alterações climáticas e os seus impactos.
 
A CIDSE recomenda que os governos do Norte e do Sul avaliem honestamente o que tem de ser feito para superar os atuais obstáculos e lidar com sucesso com os desafios que o mundo enfrenta, construindo assim uma parceria win-win de cooperação global e solidariedade.
  
Fonte: FEC:
http://www.fecongd.org/noticia.asp?noticiaid=33482&tipo_id=261

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