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a 25 MAR 2010

Ajuda humanitária: Portugueses têm falta de "cultura de ajuda regular"


Lisboa, 23 mar
(Lusa) - Em situações de catástrofe e emergência os portugueses mobilizam-se e socorrem em massa, mas depois "falta-lhes uma cultura de ajuda regular" para apoiar programas destinados a diminuir as desigualdades mundiais.

O alerta foi lançado por César Neto, porta-voz da Plataforma Portuguesa das Organizações Não Governamentais para o Desenvolvimento (ONGD), entidade representativa de 58 organizações portuguesas que hoje celebra 25 anos.

César Neto lembra que "em Portugal existe uma cultura de ajuda só em caso de emergência". Catástrofes como o terramoto no Haiti desencadeiam um "boom de contactos" por parte de pessoas desejosas de ajudar, mas no dia a dia "não há uma cultura de ajuda regular".

"Em situações de crise de emergência nós somos dos países que mais ajudam, mas noutras situações as pessoas não estão consciencializadas para a importância desta ajuda", lamenta César Neto.

A falta de ajuda sistemática é um dos maiores problemas com que se debatem as ONGD e, para combater esta falha, a Plataforma está a desenvolver um trabalho de consciencialização da população, para que perceba a importância de apoiar ações destinadas a "acabar com alguns números gravíssimos, como os milhões de crianças sem acesso à escola ou os milhões de pessoas subnutridas".

A Plataforma lembra que existem mais de 800 milhões de pessoas que "vão para a cama com fome todos os dias", das quais 300 milhões são crianças. Todos os anos, seis milhões de crianças morrem de subnutrição antes de completarem cinco anos de idade.

"Anualmente, as ONGD portuguesas investem entre sete e 10 milhões de euros em projetos em vários países", lembrou Pedro Cruz, director executivo da Plataforma ONGD.

As 58 organizações portuguesas desenvolvem ações apostadas em reduzir números negros como os que indicam que cinco milhões de pessoas, a maioria crianças, morrem todos os anos devido a doenças ligadas ao contacto com a água. Mas, para resolver estes problemas, lembra César Neto, é preciso "uma ajuda constante" por parte da sociedade civil.

"Nós somos a primeira geração que tem capacidade para acabar com estas diferenças e desigualdades a nível de acesso - temos condições e recursos - mas algo não está a ser feito", lamenta o porta-voz.

Consciente que "falta o passo a seguir", a Plataforma tem lançado ações de sensibilização, principalmente direcionadas para os mais novos, para que consigam perceber uma ideia: "Todos nós fazemos parte de um mesmo mundo".

Constituída a 23 de março de 1985, a Plataforma é uma associação privada sem fins lucrativos, que representa a maioria das ONGD portuguesas (por exemplo: Leigos para o Desenvolvimento, Cáritas Portuguesa, Fundação Envagelização e Culturas, Instituto de Apoio à Criança, Médicos do Mundo Portugal, União das Misericórdias Portuguesas, Leigos da Boa Nova, Instituto de Solidariedade e Cooperação Universitária).

A Plataforma pretende contribuir para a qualificação da intervenção da sociedade civil nos domínios da Cooperação para o Desenvolvimento, da Ajuda Humanitária e de Emergência e da Educação para o Desenvolvimento e Formação.

Oiça aqui a versão áudio.

SIM
+++ Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico +++
Lusa/Fim

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