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porUNICEF
fonteUNICEF
a 18 JUL 2017

Programas de rádio ajudam a aprendizagem das crianças durante a crise do lago Chade

No âmbito de uma iniciativa abrangente destinada a apoiar 1.3 milhões de crianças deslocadas devido à violência do conflito com o Boko Haram, acaba de ser lançado na bacia do lago Chade um programa de educação transmitido via rádio.

Os programas educativos via rádio constituem uma plataforma alternativa de aprendizagem para as 200.000 crianças que vivem em zonas afectadas pela crise e que não têm possibilidade de ir à escola no Extremo Norte dos Camarões e na região de Diffa no Níger.

"Esta crise tem contornos muito específicos, por isso estamos a desenvolver soluções também elas específicas", disse Marie-Pierre Poirier, Directora Regional da UNICEF para a África Ocidental e Central. "Perante centenas de escolas ainda fechadas e um número imenso de crianças expostas a riscos de várias ordens, desenvolvemos um protótipo de programa educativo via rádio que permitirá às crianças entrar numa rotina em matéria de educação. Este é apenas o primeiro passo, e os Governos envolveram-se proactivamente para o tornar acessível para as crianças afectadas por esta crise ".

A educação tem estado no centro do conflito desde o seu início em 2009. O Boko Haram procurou banir a educação, com ataques dirigidos a professores e escolas. A iniciativa Educação em Emergências apoiada pela UE ajudou a UNICEF a tornar mais seguro para as crianças o ambiente nas escolas e comunidades afectadas pela crise. Esse trabalho incluiu a expansão dos programas de educação a zonas onde as escolas permanecem fechadas porque foram destruídas ou por medo de novos ataques. Os programas de rádio têm a capacidade de chegar a crianças em zonas que continuam inacessíveis à assistência humanitária e a outras crianças que se encontram fora da escola.

Com o apoio da UE, a UNICEF e os Governos dos Camarões e do Níger desenvolveram um programa de educação via rádio para as crianças afectadas pelo conflito. Os 144 episódios do programa, sobre leitura e aritmética, mensagens vitais e outras sobre protecção infantil, serão transmitidos em francês e nas línguas locais de Kanouri, Fulfulde e Hausa. As transmissões contam com o apoio ao nível da comunidade para que os adultos permitam que as crianças ouçam as rádios existentes e facilitem a audição guiada. A UNICEF e os Governos estão a envolver grupos de escuta de rádio para ajudar as crianças a tirar o máximo proveito das transmissões.

"A educação via rádio ajuda-nos a chegar às crianças que não estão na escola devido ao conflito", afirmou Yvan Hildebrand, chefe da representação da ECHO (Comissão para a Protecção Civil e Operações de Ajuda Humanitária da UE) nos Camarões. "Temos vindo a trabalhar com a UNICEF para desenvolver uma solução transitória de qualidade que irá ajudar centenas de milhares de crianças a criar uma rotina em matéria educativa. Estamos muito satisfeitos pelo papel que a UE está a desempenhar nesta crise e estou certo de que todos os europeus reconhecem o valor deste investimento nas crianças ".

Para além de programas de rádio, a Educação em Emergências chegará a 159.000 crianças sob diversas formas, incluindo serviços de protecção infantil e programas de aprendizagem sobre risco adaptados às necessidades das crianças que vivem em áreas afectadas pela crise no Níger, no Chade, nos Camarões e na Nigéria.

"Esta plataforma de rádio tem potencial para abranger um número ainda maior de crianças que não frequentam a escola no Níger, nos Camarões e em toda a região", afirmou M Pierre Poirier. “Ter no ar um programa validado pelo Governo é o primeiro passo importante para dar continuidade à aprendizagem em situações de emergência e para proporcionar protecção às crianças que não vão à escola. Num futuro muito próximo, esperamos que as crianças que aprendem através da rádio recebam também um certificado e possam passar para o ano lectivo seguinte".

Apesar dos progressos alcançados com este projecto, as necessidades das crianças da bacia do Lago Chade continuam a ser tremendas. A persistência do conflito e as preocupações com a segurança limitaram a resposta humanitária. A UNICEF lançou um apelo no valor de 38.5 milhões de dólares para dar resposta às necessidades em matéria de educação durante a crise; até à data estão apenas assegurados 19.6 milhões de dólares, ou seja, apenas 50% do valor necessário.

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