|
porUNICEF
fonteUNICEF
a 17 JUL 2017

As embarcações de resgate mediterrâneas não devem ser impedidas de salvar crianças refugiadas e migrantes no mar

Com milhares de refugiados e migrantes a serem resgatados semanalmente no Mar Mediterrâneo, a UNICEF alerta para o facto de um código de conduta proposto para as ONG que realizam missões de busca e resgate poder pôr em risco muitas vidas, sobretudo de crianças.

O novo código proposto pelas autoridades italianas para pôr termo ao tráfico e contrabando dá prioridade à aplicação da lei, e limita o movimento e as operações das embarcações de resgate das ONG no Mediterrâneo Central – alterações que podem inadvertidamente dificultar os resgates e causar a morte de pessoas.

“Desde o início da crise migratória, a Itália fez enormes esforços para salvar refugiados e migrantes à deriva no mar e para prestar apoio aos que chegaram às costas do país,” afirmou Justin Forsyth, Director Executivo Adjunto da UNICEF. “A Itália devia ser reconhecida por esse esforço. Por outro lado, a aplicação da legislação e os objectivos de segurança – independentemente da sua justificação – não devem inadvertidamente impedir um trabalho crucial para salvar a vida de crianças no mar.”

À luz do código proposto, os barcos das ONG seriam impedidos de entrar em águas líbias para levar a cabo resgates, e impedidos de estabelecer ligações telefónicas ou de disparar sinalização de emergência para indicar a sua localização a barcos com migrantes a bordo e em dificuldades. O código permitiria também a presença de polícias e agentes de segurança a bordo das embarcações das ONG, comprometendo a independência destas, e inclui um plano segundo o qual as crianças correm maior risco de serem reenviadas para a Líbia sem quaisquer medidas de protecção, expondo-as ao mesmo tipo de privações, abusos e violações graves que as levaram a sair das suas terras.

Desde o início do ano, chegaram a Itália por mar cerca de 90.000 refugiados e migrantes – 15 por cento dos quais são crianças, ou seja, mais 70.000 novas chegadas do que no total dos restantes países mediterrâneos da UE. Entre Janeiro e Junho de 2017, equipas apoiadas pela UNICEF em barcos de resgate identificaram 2.343 crianças em risco, e distribuíram artigos de higiene e outros bens de primeira necessidade a cerca de 1.000 mulheres e crianças.

“A Itália continua a suportar uma quota-parte desproporcionada do apoio aos refugiados e migrantes na EU,” afirmou Justin Forsyth. “Porém, impor restrições aos regates no mar ou o mandar as crianças de volta para a Líbia não são soluções. Os outros países da EU, e de um modo geral a comunidade internacional, devem tomar medidas para ajudar a Itália, apoiando missões de resgate, permitindo que os barcos desembarquem e actuando de forma adequada para as crianças desenraizadas.”
 

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>
2019
2018
2017
2016
2015
2014
2013
2012
2011
2010