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porUNICEF
fonteUNICEF
a 08 JUL 2017

Seis anos após a independência, as crianças do Sudão do Sul continuam à espera da paz e prosperidade

Em vésperas do sexto aniversário da independência do Sudão do Sul, as esperanças e os sonhos das crianças deste jovem país continuam por concretizar, afirmou a UNICEF hoje. Referindo-se à situação no Sudão do Sul como uma catástrofe para as crianças, o Fundo das Nações Unidas para a Infância afirmou estas continuam a pagar o preço do conflito e do colapso de serviços essenciais.

“Milhões de crianças no Sudão do Sudão estão a passar por enormes dificuldades e retrocessos no que diz respeito à sua educação, nutrição, saúde e aos seus direitos fundamentais,” afirmou Mahimbo Mdoe, Representante da UNICEF no Sudão do Sul, em vésperas do Dia da Independência do Sudão do Sul que se celebra amanhã, 9 de Julho. “Mais de 2 milhões de crianças deixaram as suas casas para escapar aos confrontos violentos; e no último mês o número de crianças refugiadas atingiu um milhão. Mais de 2.000 crianças foram mortas ou feridas, e muitas mais testemunharam uma violência horrível. Os números são chocantes mas cada um deles representa a vida e o sofrimento de uma criança.”

Em quase todos os aspectos das suas vidas, as crianças estão a ser privadas de uma infância no Sudão do Sul.

Cerca de 2.2 milhões de crianças não vão à escola. O país tem a mais elevada percentagem de crianças não escolarizadas do mundo, com mais de 70% destas sem acederem à aprendizagem. Mais de um terço das escolas do país foram atacadas por grupos armados.

Dados revelados no mês passado sobre segurança alimentar (Integrated Food Security Phase Classification) alertavam para o facto de seis milhões de pessoas – mais metade da população do país – estar em situação de insegurança alimentar grave. Estima-se que 1.1 milhões de crianças sofrem de má nutrição aguda e cerca de 290.000 de má nutrição aguda grave, o que as torna nove vezes mais susceptíveis à morte do que uma criança bem nutrida.

Os sistemas de saúde e de água e saneamento estão à beira do colapso, o que expôs as crianças a vírus mortais, nomeadamente ao sarampo e a doenças relacionadas com o consumo de água contaminada como a cólera. O actual surto de cólera no Sudão do Sul é o mais prolongado e disseminado de sempre no país. Desde o início do surto há um ano, foram reportados mais de 10.000 casos, dos quais 51% em crianças.

Desde o início do conflito em Dezembro de 2013, pelo menos 2.500 crianças foram mortas ou feridas e reportados 254 casos de violação ou agressões sexuais contra crianças. Mais de 17.000 crianças estão actualmente nas fileiras de forças e grupos armados no Sudão do Sul e o recrutamento continua.

Em circunstâncias extremamente difíceis para os cidadãos mais vulneráveis do Sudão do Sul, em 2017 a UNICEF e parceiros no terreno:

  • Prestaram cuidados e tratamento a mais de 239.000 crianças menores de 5 anos contra a malária, pneumonia, diarreia e outras doenças potencialmente fatais, e trataram mais de 5.000 casos de cólera;
  • Providenciaram acesso a água potável a 500.000 pessoas e acesso a sanitários a mais 200.000;
  • Levaram a cabo 26 missões de resposta rápida conjuntas da UNICEF e do PAM que com apoio vital para mais de 530.000 pessoas, entre as quais 100.000 crianças menores de cinco anos;
  • Trataram mais de 80.000 crianças afectadas por má nutrição aguda grave;
  • Proporcionaram acesso à educação a 184.000 crianças;
  • E reunificaram 434 crianças (235 raparigas e 199 rapazes) com as suas famílias; prestaram apoio de reintegração socioeconómico a 1.538 crianças (1.254 rapazes e 284 raparigas) anteriormente associadas a grupos armados e a crianças vulneráveis.

“O Dia da Independência de um país devia ser motivo de celebração,” afirmou Mahimbo Mdoe. “Contudo, hoje, no Sudão do Sul, não há lugar para celebrações para os milhões de crianças afectadas por este conflito. Continuando a intensificar a sua resposta de emergência para chegar às crianças que mais precisam, a UNICEF reitera o que há muito vem dizendo: os agentes humanitários no terreno precisam de ter acesso sem restrições e seguro; e as crianças do Sudão do Sul precisam de paz.”

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