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porUNICEF
fonteUNICEF
a 17 MAR 2017

Um ano depois do acordo entre a UE e a Turquia, as crianças refugiadas e migrantes enfrentam mais riscos

Um ano após o encerramento das fronteiras dos Balcãs e do Acordo entre a UE e a Turquia que visavam impedir os fluxos migratórios em massa, as crianças refugiadas e migrantes enfrentam mais riscos de deportação, detenção, exploração e privação, afirma a UNICEF.

“Apesar da diminuição muito significativa do número de crianças em trânsito em direcção à Europa desde Março do ano passado, as ameaças e as dificuldades que as crianças refugiadas e migrantes enfrentam aumentaram,” afirmou Afshan Khan, Directora Regional da UNICEF e Coordenadora Especial para a Crise de Refugiados e Migrantes na Europa. “Tornou-se num ciclo vicioso – as crianças fogem do sofrimento, e ou acabam por fugir de novo, ou são detidas, ou vítimas de negligência total.”

Funcionários da UNICEF na Grécia relatam situações de angústia e frustração profundos entre as crianças e suas famílias, entre as quais uma criança com apenas 8 anos que tentou auto-mutilar-se. Apesar de melhorias recentes nas condições de vida, algumas crianças não acompanhadas que estão em abrigos sofrem de distúrbios psicológicos, com elevados níveis de ansiedade, agressividade e violência, e comportamentos de risco como consumo de drogas e prostituição. A guerra, a destruição, a morte de entes-queridos e uma viagem perigosa agravada por condições de vida precárias em campos na Grécia, ou os longuíssimos procedimentos de registo e de asilo podem desencadear perturbações de stress pós-traumático.

Hawar, um adolescente iraquiano de 14 anos, disse.” Às vezes é bom, e outras vezes estou bem outras vezes estou mal. Alguns dias sinto-me motivado, outros estou esgotado emocionalmente. Sinto-me encurralado. Não quero ver ninguém nem nada que tenha a ver com o campo. Depois saio durante um bocado, e geralmente sinto-me melhor.”

Maroof, do Afeganistão, pai de quatro filhos, conta que a experiência da atravessar o Mediterrâneo oriental teve efeitos psicológicos negativos nele na mulher e nos filhos, e que não receberam apoio nesse sentido. “O comportamento dos meus filhos mudou desde que chegámos aqui. Não querem ir à escola e andam à luta. Hoje, por exemplo, mandei-os à escola no campo e eles saíram da aula. Não temos certeza de nada. Estamos encurralados numa ilha e isso causa-nos problemas psicológicos. A minha única que me alegra é estarmos vivos.”

A UNICEF, em colaboração com o Governo grego e ONGs parceiras, estão a dar prioridade a cuidados adequados para crianças refugiadas e migrantes a fim de responder às suas necessidades em matéria de saúde mental e necessidades de carácter psicológico. Transferências iminentes de retorno à Grécia, em linha com as regras de Dublin, podem vir a aumentar a tensão que as crianças enfrentam e a pressão nos serviços existentes.

Em vez de conter o fluxo, o encerramento das fronteiras e o acordo entre a UE e a Turquia levaram as crianças e suas famílias a tomar o assunto em mãos e a procurar rotas ainda mais perigosas e irregulares com traficantes, tal como a UNICEF e organizações parceiras alertaram há um ano. Já em 2017, cerca de 3.000 refugiados e migrantes – dos quais perto de um terço são crianças – chegaram à Grécia não obstante a total implementação do acordo entre a UE e a Turquia e de controlos de fronteiras apertados. Muitos continuam a entrar pelas fronteiras na Bulgária, nos Balcãs ocidentais e na Hungria.

As crianças retidas na Grécia nos Balcãs ocidentais já perderam quase três anos de aprendizagem e neste momento enfrentam dificuldades, como diferenças de língua e de sistema de educação e mais um ano sem escolaridade. A UNICEF está a apoiar a estratégia do Ministério da Educação para integrar as crianças refugiadas e migrantes retidas nas escolas gregas. No entanto, apenas 2.500 das 15.000 crianças em idade escolar beneficiaram até à data do esquema nacional em língua grega.

Apesar dos esforços significativos – por parte do governo e seus parceiros – cerca de metade das 2.100 crianças não acompanhadas estão ainda a viver em condições precárias, entre as quais perto de 200 crianças não acompanhadas que se encontram em instalações com movimentação limitada (dados do início de Março; 178 crianças em centros de recepção e de identificação nas ilhas e 16 em ‘custódia protectora’ em celas policiais).

 

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