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porUNICEF
fonteUNICEF
a 15 DEZ 2016

O recrutamento de crianças no Sudão do Sul continua a aumentar

17.000 crianças recrutadas desde 2013; e milhares de crianças mortas raptadas e sexualmente abusadas

Três anos após o início do conflito no Sudão do Sul, continuam a ser recrutadas crianças pelo exército e por grupos armados. Em 2016 foram recrutadas mais de 1.300 crianças afirmou a UNICEF hoje. O total de crianças usadas no conflito ascende a 17.000 desde 2013.

“Desde o primeiro dia deste conflito, as crianças têm sido a camada da população mais duramente afectada por violações de vária ordem,” afirmou a Directora Regional da UNICEF para a África Oriental e Austral, Leila Pakkala. Com o agravamento dos confrontos, e apesar das promessas repetidas por todos de acabar com o recrutamento de crianças, elas são, mais uma vez, um alvo.”

Desde Novembro, as Nações Unidas documentaram o rapto e recrutamento de pelo menos 50 crianças na região do Grande Nilo Superior, e há relatos não confirmados de que outras 50 crianças poderão ter sido recrutadas na região de Bahr al Ghazal. Às Nações Unidas chegaram ainda relatos de violações graves contra crianças na região de Equatoria; mas, devido ao elevado grau de insegurança e acesso restrito, não foi possível confirmar estas informações.

Um total de 1.932 crianças foram libertadas pelo exército e por grupos armados – 1.755 em 2015 e 177 este ano.

As principais partes no conflito – o SPLA (Exército Popular de Libertação do Sudão) e o SPLA na Oposição – assinaram acordos com as Nações Unidas para pôr fim e prevenir recrutamento de crianças e a sua utilização em conflito.

Enquanto as crianças do Sudão do Sul a continuam à espera da paz que a independência prometia, as violações dos seus direitos têm sido generalizadas ao longo de todo o tempo do conflito, afirmou a UNICEF – com crianças mortas, raptadas e sexualmente abusadas. Desde 2013, a UNICEF e seus parceiros no terreno documentaram:

  • 2.342 crianças mortas ou mutiladas
  • 3.090 crianças raptadas
  • 1.130 crianças sexualmente abusadas
  • 303 incidentes de ataques sobre escolas ou hospitais ou a sua utilização para fins militares

A insegurança que persiste, associada uma crise económica que fez disparar os níveis de inflação acima de 800 por cento, criou também uma insegurança alimentar generalizada, que se repercutiu nos níveis críticos de má nutrição das crianças que se verificam na maior parte do país.

Este ano, a UNICEF e parceiros receberam já 184.000 crianças para tratamento de subnutrição severa – 50 por cento mais do que o número de crianças tratadas no ano passado e um aumento de 135 por cento em relação a 2014.

“A preocupação da UNICEF é que com a perspectiva de agravamento das hostilidades e atrocidades, o sofrimento das crianças não tenha fim,” afirmou Leila Pakkala. “As crianças do Sudão do Sul não podem continuar a viver sob medo constante de fome ou do conflito. Elas precisam de paz, cuidados e apoio sustentados.”

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