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porUNICEF
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a 15 NOV 2016

República Centro-Africana: Quase 1 em cada 5 crianças são refugiadas ou deslocadas

Enquanto a recuperação da República Centro-Africana (RCA) continua a evoluir muito lentamente, mais de 850.000 pessoas no país – metade das quais crianças – continuam em movimento, como deslocadas internamente ou refugiadas em países vizinhos, afirmou hoje a UNICEF.

A insegurança após o fim do conflito impediu que mais de 920.000 pessoas deslocadas regressassem a casa no início de 2014. Actualmente, 383.000 pessoas continuam deslocadas no interior do país, e outras 468.000 procuraram refúgio nos Camarões, onde estão mais de metade dos refugiados, no Chade, na República Democrática do Congo e no Congo.

“Quando as crianças regressarem às suas comunidades à medida que a segurança for melhorando, elas vão precisar de escolas e centros de saúde onde possam ser atendidas,” afirmou Christine Muhigana, Directora Adjunta da UNICEF para a África Central e Ocidental. “O acesso a serviços de saúde e educação de qualidade é fundamental para qualquer processo de recuperação e para os alicerces de um futuro pacífico.”

A violência e as deslocações em massa deixaram as crianças especialmente vulneráveis a perigos em matéria de saúde, exploração e abusos. Mais de 1/3 das crianças estão fora da escola e 41 por cento em risco de subnutrição crónica. Estima-se que entre 6.000 e 10.000 crianças foram recrutadas por grupos armados desde 2013.

“O país está em melhores condições agora,” disse Christine Muhigana. “Mas continua a ser um dos países mais perigosos do mundo para as crianças, e o recrudescer da violência ameaça comprometer os sinais de progresso.”

Mais recentemente, episódios de violência que se têm vindo a repetir obrigaram várias ONGs a reduzir significativamente a sua intervenção em algumas zonas do país, o que atrasa a execução do plano nacional de recuperação. No mês passado, um ataque contra o campo de deslocados de Kaga Bandoro matou 37 civis, entre os quais educadores que participavam num programa apoiado pela UNICEF.

Representantes de entidades de ajuda humanitária reúnem-se em Bruxelas no próximo dia 17 de Novembro para dar conta do modo como está a decorrer o processo de recuperação e angariar fundos para os seus programas. Os dirigentes da RCA vão apelar a um pacote de ajuda no valor de 3 mil milhões de dólares (cerca de 2,78 milhões de euros), junto de doadores internacionais nomeadamente a União Europeia, o Banco Mundial e as Nações Unidas.

A UNICEF apela aos líderes da RCA e aos doadores internacionais para que coloquem as crianças em primeiro lugar no plano de recuperação, dando prioridade aos serviços sociais básicos como a saúde e a educação para as mais vulneráveis. A organização sublinha que só um plano de recuperação equilibrado e tendo a equidade como o princípio orientador poderá construir as bases para um futuro pacífico.

As desigualdades económicas tiveram um peso enorme no eclodir da violência inicial e no conflito em 2012. As tensões étnicas e as disparidades de oportunidades entre as populações urbana e rural alimentaram ressentimentos que ainda perduram. Questões relacionadas com a justiça, a protecção e a luta contra a corrupção são fundamentais para a reconstrução de um país capaz de proteger os seus cidadãos e pô em prática o estado de direito.

Juntamente com o governo e outros parceiros, a UNICEF está a contribuir para o reforço do sistema de educação através da formação de mais de 1.300 professores, e da construção e reparação de 172 escolas até ao final de 2016. Está também a planear a expansão de projectos existentes para melhorar os cuidados de saúde primários, e o acesso a água potável e prestar apoio psicológico a crianças que passaram por situações de violência.

Os esforços para chegar a todas as crianças na RCA estão a ser entravados por restrições significativas de financiamento. Dos 55.6 milhões de USD (cerca de 51,492 milhões de euros) necessários em 2016 para prestar serviços básicos às crianças no país, apenas foram recebidos 20.4 milhões de USD (cerca de 18,898 milhões de euros), deixando muitos projectos subfinanciados e com eficácia reduzida.

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