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porUNICEF e Banco Mundial
fonteUNICEF
a 03 OUT 2016

Perto de 385 milhões de crianças vivem na pobreza extrema

As crianças têm duas vezes mais probabilidades de viver na pobreza extrema do que os adultos segundo um novo estudo do Grupo Banco Mundial e da Unicef, Ending Extreme Poverty: A Focus on Children. De acordo com este documento, em 2013, 19.5 das crianças nos países em desenvolvimento faziam parte de agregados familiares que sobreviviam com US$1.90 por dia ou menos por pessoa, comparativamente com 9.2 por cento dos adultos. Globalmente, quase 385 milhões de crianças viviam na pobreza extrema.

As crianças são afectadas de forma desproporcionada, dado que representam cerca de um terço da população estudada, mas metade dos que vivem na pobreza extrema. O risco é maior para as crianças mais pequenas - mais de um quinto dos menores de cinco anos nos países em desenvolvimento vivem em famílias extremamente pobres.

“As crianças não só têm maior probabilidade de viver na pobreza extrema como os efeitos desta lhe causam maiores danos. Elas são as mais prejudicadas entre os mais prejudicados, em especial as crianças mais pequenas porque as privações a que são sujeitas afectam o seu desenvolvimento físico e intelectual”, afirmou Anthony Lake, Director Executivo da UNICEF. ”É chocante que metade das crianças na África Subsariana e um quinto das crianças nos países em desenvolvimento estejam a crescer na pobreza extrema. Esta realidade não limita apenas os seus futuros, como se repercute negativamente nas suas sociedades”.

Esta nova análise vem na sequência da divulgação do novo relatório de referência do Grupo do Banco Mundial, Poverty and Shared Prosperity 2016: Taking on Inequality, que concluiu que em 2013 cerca de 767 milhões de pessoas no mundo viviam com menos de $1.90 dias, metade das quais tinham menos de 18 anos.

“Este número imenso de crianças a viver na pobreza extrema revela uma necessidade urgente de investir especificamente nos primeiros anos de vida – em serviços como os cuidados pré-natais para mulheres grávidas, programas de desenvolvimento para a primeira infância, educação de qualidade, água potável, saneamento adequado e cuidados de saúde universais,” afirmou Ana Revenga, Directora para os Assuntos da Pobreza e Equidade do Grupo do Banco Mundial. “Melhorar estes serviços e assegurar que todas as crianças têm acesso a oportunidades de emprego de qualidade – quando chegar a altura – é a única forma de quebrar o ciclo intergeracional da pobreza que actualmente está tão generalizado.”

A estimativa global da pobreza extrema baseia-se em dados de 89 países, que representam 83 por cento da população dos países em desenvolvimento.

A África subsariana tem as mais elevadas taxas de crianças a viver na pobreza, ligeiramente abaixo dos 50 por cento, e a maior parcela de crianças extremamente pobres, ligeiramente acima dos 50 por cento. Segue-se o Sul da Ásia com perto de 36 por cento – com mais de 30 por cento das crianças extremamente pobres a viver na Índia. Mais de uma em cada cinco das crianças na pobreza extrema vivem em zonas rurais.

Por outro lado, o relatório revela que mesmo em patamares mais elevados, a pobreza afecta também as crianças de modo desproporcionado. Cerca de 45 por cento das crianças vivem em famílias que subsistem com menos de $3.10 por dia por pessoa, percentagem que nos adultos é de perto de 27 por cento.

A UNICEF e o Grupo Banco Mundial apelam aos governos para que:

  • Avaliem regularmente a pobreza infantil aos níveis nacional e subnacional e que dêem prioridade às crianças nos seus planos nacionais de redução da pobreza no âmbito de esforços para pôr fim à pobreza extrema até 2030.
  • Reforcem os sistemas de protecção social com impacto nas crianças, incluindo programas de transferências em dinheiro que directa ou indirectamente ajudam as famílias mais pobres a pagar alimentação, cuidados de saúde, educação e outros serviços que protegem as crianças do impacto da pobreza e contribuem para quebrar este ciclo vicioso no seu tempo de vida.
  • Dar prioridade a investimentos na educação, saúde, água potável, saneamento e infra-estruturas que beneficiem as crianças mais pobres, bem como noutras áreas que evitam que as pessoas voltem a cair na pobreza na sequência de secas, doenças ou instabilidade económica.
  • Moldem as decisões políticas de modo a que o crescimento económico beneficie as crianças mais pobres.

A UNICEF e o Grupo Banco Mundial estão a trabalhar com vários parceiros para quebrar ciclos de pobreza e promover o desenvolvimento na primeira infância com vários tipos de programas, tais como transferências monetárias, nutrição, cuidados de saúde e nutrição.
 

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