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porUNICEF
fonteUNICEF
a 14 JUL 2016

Mutilação Genital Feminina: A maioria dos homens e das mulheres nos países onde esta persiste opõe-se à prática

Cerca de dois terços dos homens, das mulheres, dos rapazes e das raparigas nos países onde Mutilação Genital Feminina/Corte (MGF/C) querem que esta prática acabe, de acordo com dados da UNICEF.


© UNICEF/UNI103836/Asselin

Em países com dados disponíveis, 67 por cento das raparigas e mulheres e 63 por cento dos rapazes e homens opõem-se à continuação da prática nas suas comunidades.

“Apesar de a MGF/C estar associada à discriminação de género, as nossas conclusões mostram que a maioria dos rapazes e homens estão, na realidade, contra e sua prática,” afirmou Francesca Moneti, Especialista em Protecção Infantil da UNICEF. “Infelizmente, o desejo das pessoas de acabar com a MGF/C é frequentemente ocultado, e muitas mulheres e homens ainda acreditam que se trata de algo necessário para serem aceites nas suas comunidades.”

Os dados mostram que em alguns países os homens se opõem mais fortemente à MFG/C do que as mulheres. Na Guiné – o país com a segunda maior taxa de prevalência no mundo – 38 por cento dos homens e rapazes são contra a continuação da MGF/C, comparado com 21 por cento das mulheres e raparigas. O mesmo padrão verifica-se na Serra Leoa, onde 40 por cento dos rapazes e homens querem que seja posto fim à prática, contra apenas 23 por cento das raparigas e das mulheres.

A diferença mais significativa nas percepções dos homens e das mulheres sobre a MGF/C também se verifica na Guiné, onde 46 por cento dos homens e rapazes consideram que a MGF/C não traz qualquer benefício, contra apenas 10 por cento das mulheres e raparigas. Os dados mostram também que em apenas mais de metade dos 15 países com informação disponível, pelo menos 1 em cada 3 raparigas e mulheres afirmam que a MGF/C não tem benefícios. A proporção é muito semelhante entre rapazes e homens em todos os 12 países para os quais existem dados, à excepção de dois.

Para além de uma grande maioria das pessoas que se opõem a esta prática nefasta nos países onde é praticada, há ainda provas de uma maior dinâmica e empenho para pôr fim à MGF/C.

Em 2015, tanto a Gâmbia como a Nigéria adoptaram legislação que criminaliza a MGF/C. Mais de 1.900 comunidades, nas quais vivem cerca de 5 milhões de pessoas, em 16 países com dados disponíveis, fizeram declarações públicas para abandonar a MGF/C. Os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável adoptados pela Assembleia-Geral das Nações Unidas em Setembro do ano passado incluem uma meta relativa à eliminação de todas as práticas nefastas como a MGF/C e o casamento na infância até 2030.

O estudo da UNICEF revela ainda uma possível ligação entre o grau de educação da mãe e a probabilidade da filha vir a ser sujeita à MGF/C. Entre os 28 países com dados disponíveis, cerca de 1 em cada 5 raparigas filhas de mulheres que não tiveram acesso à educação foram submetidas à MGF/C, comparativamente a 1 em cada 9 filhas de mães que têm pelo menos educação de nível secundário.

Pelo menos 200 milhões de raparigas e mulheres vivas actualmente em 30 países foram submetidas à MGF/C – uma série de procedimentos que podem causar um sofrimento físico e psicológico extremo, hemorragias prolongadas, VIH, infertilidade e morte.

Os dados podem ter um papel importante na medida em que revelam o que as comunidades pensam de facto sobre a MGF/C,” afirmou Moneti. “Quando as pessoas percebem que há outros que não apoiam a prática, torna-se mais fácil para elas próprias porem um fim à MFG/C. É necessário trabalhar mais com os jovens, homens e mulheres, comunidades inteiras e líderes religiosos e políticos a fim de dar visibilidade a estas conclusões e sublinhar os efeitos nefastos da MGF/C, para podermos impulsionar o movimento para pôr fim à sua prática.”

A UNICEF e o Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP) partilham a liderança do maior programa global para incentivar à eliminação da MFG/C. Actualmente, este programa apoia acções em 17 países – trabalhando a todos os níveis, desde o nacional até às comunidades.

 

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