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porUNICEF
fonteUNICEF
a 30 JUN 2016

Crise no Iraque: 3.6 milhões de crianças estão agora em risco devido ao aumento da violência

3.6 milhões de crianças no Iraque – 1 em cada 5 – correm sério perigo de morte, ferimentos, violência sexual, rapto e recrutamento por grupos armados, segundo um novo relatório da UNICEF.

O relatório A Heavy Price for Children revela que o número de crianças expostas a estas violações aumentou 1.3 milhões em 18 meses, e que, neste momento, 4.7 milhões de crianças precisam de assistência humanitária – um terço de todas as crianças iraquianas – e muitas famílias vêem-se confrontadas com a degradação das condições de vida causadas pelas recentes operações militares em Fallujah e nas imediações de Mossul.

“As crianças no Iraque estão na linha de fogo e são repetida e implacavelmente alvo de ataques,” afirmou Peter Hawkins, Representante da UNICEF no Iraque. “Apelamos à contenção de todas as partes e ao respeito pela protecção das crianças. Ainda estamos a tempo de devolver a infância a estas crianças, proporcionando-lhes o apoio de que precisam para recuperar dos horrores da guerra e para que possam contribuir para um Iraque mais pacífico e próspero.”

O relatório da UNICEF documenta a escala e a complexidade da crise humanitária num país fragilizado por quatro décadas de conflito, insegurança, negligência e onde o impacte sobre as crianças piora de dia para dia.

Nos últimos dois anos e meio, 1.496 crianças foram raptadas no país – um dado verdadeiramente chocante que representa uma média de 50 raptos de crianças por mês, muitas delas forçadas a combater ou sujeitas a abusos sexuais.

“O rapto de crianças das suas casas, das suas escolas e das ruas é aterrador,” disse Hawkings. “Estas crianças estão a ser arrancadas às suas famílias e sujeitas a abusos e exploração inqualificáveis.”

O relatório mostra também que, desde o início de 2014, cerca de dez por cento das crianças iraquianas – mais de 1.5 milhões – se viram obrigadas a abandonar as suas casas devido à violência, e em muitos casos por diversas vezes. Quase uma em cada cinco escolas não estão em condições de ser utilizadas, e perto de 3.5 milhões de crianças em idade escolar estão fora da escola.

A UNICEF apela à acção urgente para proteger as crianças no Iraque e os seus direitos. E identifica cinco medidas concretas que devem ser tomadas de imediato:

  • Acabar com as mortes, a mutilação, o rapto, a tortura, a detenção, a violência sexual e o recrutamento de crianças. Pôr fim aos ataques sobre escolas, infra-estruturas e profissionais de saúde.
  • Assegurar acesso humanitário sem restrições a todas as crianças, qualquer que seja o lugar onde se encontram no país, incluindo em áreas fora do controlo do governo. Nas zonas de conflito, os civis que quiserem sair devem poder fazê-lo em segurança e também poder aceder aos serviços de que precisam.
  • Criar condições para que as crianças que estão fora da escola possam aceder ao ensino mediante de aulas de recuperação. Alargar o acesso à aprendizagem e equipar os professores e as crianças com materiais didácticos e formação. São estas as crianças que vão reconstruir o Iraque e contribuir para um futuro mais pacífico e estável.
  • Proporcionar apoio psicológico e actividades recreativas para ajudar as crianças a sararem feridas e a recuperarem a sua infância.
  • Aumentar o financiamento, dado que os recursos escasseiam, o que já está a reflectir-se em cortes no apoio crucial às crianças. A UNICEF precisa de angariar um total de 100 milhões de USD para a sua resposta humanitária no Iraque em 2016.
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