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porUNICEF
fonteUNICEF
a 24 ABR 2016

Dois terços das crianças não imunizadas vivem em países afectados por conflitos

Quase dois terços das crianças que não foram imunizadas com vacinas básicas vivem em países que estão parcial ou totalmente afectados por conflitos, diz a UNICEF, nas vésperas da Semana Mundial da Imunização.

Destes países, o Sudão do Sul tem a percentagem mais elevada de crianças não imunizadas, com 61 por cento de crianças que não receberam as vacinas mais básicas na infância, seguindo--se a Somália (58 por cento) e a Síria (57 por cento).

“Os conflitos criam o ambiente ideal para o aparecimento de surtos de doenças,” disse o Chefe do departamento de Imunização da UNICEF, Robin Nandy. “As crianças não recebem as vacinas básicas devido ao colapso – e por vezes à destruição deliberada – de serviços de saúde vitais. Mesmo quando os serviços médicos estão disponíveis, a insegurança impede que estes cheguem às crianças.”

O sarampo, a diarreia, as infecções respiratórias e a má nutrição são as principais causas de doença e de morte na infância, o que em situações de conflito e de emergência pode ter consequências ainda mais graves. Quando as crianças contraem o sarampo num ambiente onde não há conflito, a taxa de mortalidade provocada pela doença é inferior a um por cento. Em zonas onde se concentra um grande número de pessoas e onde a má nutrição é elevada, como acontece nos campos de refugiados, a mortalidade infantil causada pelo sarampo pode chegar aos 30 por cento. A aglomeração de pessoas e a falta de bens básicos como comida, água e abrigo tornam as crianças ainda mais vulneráveis às doenças.

Nas zonas em conflito a morte de pessoal de saúde e a destruição de infra-estruturas, de bens e equipamento, repercutem-se de foram desastrosa na saúde das crianças.

  • As zonas afectadas por conflitos no Paquistão e no Afeganistão são os últimos redutos do vírus da polio, que pode causar incapacidades, e que foi eliminado no resto do mundo.
  • Na Síria, os níveis de imunização caíram de 80 por cento em 2010, antes do início do conflito, para 43 por cento em 2014. A polio reapareceu no país em 2013, depois de 14 anos sem registo de casos.
  • Na República Democrática do Congo, já foram reportados mais de 2.000 casos suspeitos de sarampo em 2016, dos quais resultaram 17 mortes, maioritariamente de crianças com menos de cinco anos.

A vacinação – especialmente contra doenças altamente contagiosas – é uma prioridade máxima em situações de emergência humanitária e uma componente fulcral da resposta da UNICEF para proteger a saúde das crianças nestes contextos.

  • Na Síria, uma campanha de vacinação, cujo início está previsto para 24 de Abril, tem como objectivo chegar às crianças mais pequenas que não têm as vacinas de rotina, em especial às que vivem em zonas cercadas ou de difícil acesso. Muitas destas crianças, nascidas depois do início do conflito, nunca foram vacinadas.
  • No Iémen, apesar dos violentos confrontos no país, uma campanha de vacinação apoiada pela UNICEF imunizou 2.4 milhões de crianças contra o sarampo e a rubéola em Janeiro, e 4.6 milhões de crianças contra a polio em Abril deste ano.
  • Na Líbia, a primeira campanha nacional de imunização contra a polio dos últimos dois anos, terminou em Abril. No início do presente mês, a UNICEF enviou 1.5 milhões de doses de vacinas para Trípoli.
  • Mais de 36 milhões de crianças estão a ser vacinadas contra a polio no Paquistão, onde os casos desta doença diminuíram 65 por cento deste 2015.
  • Em 2014 e 2015, no Iraque, na Síria e no Iémen foram vacinadas mais de 23 milhões de crianças no âmbito de campanhas de imunização de emergência contra o sarampo.

Em situações de emergência e de conflito, a UNICEF trabalha com vários parceiros para restabelecer a cadeia de frio para as vacinas e outros artigos médicos essenciais; refazer as equipas de saúde; e dar formação a agentes de saúde a fim de poderem proceder à imunização, despistes de má nutrição, administração de suplementos de vitamina A e à prestação de cuidados de saúde a mulheres e crianças.

A imunização em zonas de conflito ajuda a restabelecer outros serviços de saúde extremamente necessários. Por exemplo, em zonas afectadas por conflitos no Iraque, na Síria e no Iémen, os profissionais de saúde também prestam serviços de nutrição, tratam doenças infantis, e apoiam as populações que os procuram em resposta a campanhas de imunização.

“As crianças afectadas por conflitos são empurradas para uma espiral de privação que lhes rouba a saúde e, por consequência, os seus futuros. A vacinação pode ajudar a quebrar este ciclo vicioso,” afirmou Robin Nandy. “A imunização é um serviço vital que merece e exige ser protegido por todas as partes envolvidas num conflito.”

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