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porGT Ética
fonteGT Ética
a 03 MAR 2016

Parcerias e Sinergias entre ONGD e outros Actores do Desenvolvimento: Mitos e Realidades

O Grupo de Trabalho de Ética da Plataforma Portuguesa das ONGD, com o apoio dos Parceiros do Mecanismo de Apoio à Elaboração de Projectos de Cooperação, organizou no passado dia 23 de Fevereiro de 2016, na Fundação Calouste Gulbenkian, a IV Oficina de Conhecimento desta vez com o tema “Parcerias e Sinergias entre ONGD e outros Actores do Desenvolvimento: Mitos e Realidades”.

A Nova Agenda do Desenvolvimento 2030 não deixa margem para dúvidas: apenas o esforço dos actores do Desenvolvimento, assente em parcerias e novas dinâmicas, irá permitir a concretização de um mundo mais justo, equitativo e sustentável. Mas mais do que nunca, é fundamental analisarmos a percepção que outros actores do Desenvolvimento têm das ONGD: Como são vistas no processo de Desenvolvimento? São actores de relevo? São consideradas para parcerias nacionais e internacionais?

A sessão de abertura contou com a intervenção da Directora do Programa Gulbenkian Parcerias para o Desenvolvimento, Maria Hermínia Cabral, que realçou a importância das parcerias, destacando que as Fundações são também um importante actor do desenvolvimento e que a FCG tem uma grande história de parcerias para o desenvolvimento, com parcerias com ONGD (relação tem vindo a ser aprofundada com a Plataforma Portuguesa das ONGD há vários anos), bem como com organizações locais.

A Oficina contou com os contributos de Anabela Vaz Ribeiro, Partner da Pedra Base, Isabel Rodrigues, Técnica da Área da Cooperação da Câmara Municipal de Loures, Júlio Santos, Coordenador do Centro de Recursos para a Cooperação e Desenvolvimento (CRCD) e Sérgio Guimarães, Chefe de Divisão de Apoio à Sociedade Civil do Camões, Instituto da Cooperação e da Língua. A moderação ficou a cargo do Director Executivo da Plataforma Portuguesa das ONGD, Pedro Cruz.

Anabela Vaz Ribeiro referiu que o papel das ONGD tem vindo a ganhar influência em Portugal e no mundo, o que veio introduzir um novo actor com quem as empresas se devem relacionar. Contudo estas parcerias não são um hábito, sendo comum que empresas trabalhem com empresas, ONGD com ONGD e Municípios com Municípios, e isto tem de mudar, é necessário um esforço de adaptação.

Reforçou ainda a importância e urgência da ética, uma vez que as entidades sentem necessidade de dar a conhecer a sua estrutura, a forma como pensam, qual o modelo interno de governação. “É preciso dar a conhecer como funcionamos por dentro e não apenas os nossos projectos”, referiu Anabela Vaz Ribeiro. O desconhecimento das formas de funcionamento das entidades, alguma falta de coerência entre valores e práticas, a ausência de modelos de prestação de contas e de informação sobre fontes de financiamento, a não comunicação de valores e princípios, etc., pode levar à falta de credibilidade e de independência do sector das ONGD.

Isabel Rodrigues começou por referir que nem sempre é fácil trabalhar em parceria, mesmo internamente, realçando que o trabalho em rede agrega um valor extra às actividades e garante uma maior para criar projectos inovadores, potenciar capacidades organizativas existentes e resultados.

Sérgio Guimarães realçou que as parcerias são um elemento essencial para reforçar a coerência das actividades do sector: são formas de partilhar capacidades e recursos, objectivos e resultados e são fundamentais por se regerem por interesses comuns, para se partilharem experiências, boas e más praticas. Vêm reforçar a capacidade das organizações na captação de fundos nacionais e internacionais, permitindo-lhes ganharem escala. Por outro lado, evidenciam o contributo das ONGD para a prossecução de políticas públicas na área da cooperação e são ainda importantes por comprovarem a importância que a cooperação para o desenvolvimento tem junto de diversos actores: existem um conjunto de entidades para junto das quais se quer levar apoio e parcerias podem exponenciar aqueles que podem ser os ramos da ajuda.

Por último, Júlio Santos focou-se nas parcerias entre a Academia e as ONGD, dizendo que vê a universidade como uma instituição de fronteira, que deve construir e colaborar para que se resolvam os problemas no Mundo, não devendo estar isolada. Considera que é preciso trazer as pessoas das ONGD para a sala de aula, para partilharem trabalho com as universidades, é preciso ensinar em conjunto o que são as ONGD e o que fazem.

Afirmou ainda que o afastamento entre academia e ONGD é um mito. Já existem parcerias, existe uma área de intersecção: universidades criam conhecimento e teoria mas também está na sua missão prestar um serviço à comunidade. Do outro lado temos as ONGD interessadas em intervenção e acção no terreno. A colaboração é fundamental para que a universidade se aproxime de forma humilde ao sector das entidades sociais e de forma relevante às questões do Mundo actual.

Pode consultar mais informação sobre o processo de construção do código de conduta aqui.
 

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